12 março 2006

Cineastas, diretores e produtores discutem os caminhos do cinema digital

Cinema digital
(R)Evolução cinematográfica?

Reduzir custos de filmagens cinematográficas em menos da metade parece um sonho impossível para profissionais do ramo, mas o fato é que o cinema caminha cada vez mais para a democratização, graças ao sistema digital, que vem sendo tão debatido nos últimos anos. A nova tecnologia, que não pára de ser aperfeiçoada, caiu nas graças de cineastas como George Lucas, Lars Von Trier, Spike Lee, Mike Figgs e outros, sem contar brasileiros como Eduardo Coutinho e Domingos Oliveira, que vem exibindo em festivais seu último trabalho realizado com apenas R$ 35 mil. Este baixíssimo orçamento de “Carreiras” foi possibilitado pela escolha do digital e pela cooperativa de técnicos e atores formada pelo diretor.

Cineastas juizforanos também experimentam o novo formato. A Groia Filmes, criada em 1999 para a realização do curta “Calçadão”, de Franco Groia, tem implementado cursos livres intensivos e de cunho profissional dentro de tecnologia de pós-produção e produção digital, tratamento de imagem, efeitos especiais e edição. A proposta dos sócios Franco e Flávia Lima é formar um leque de profissionais gabaritados nesta convergência tecnológica, a fim de atender as demandas locais.
O digital também aumentou as perspectivas de estudantes como os da faculdade de cinema de Juiz de Fora, Josy Visonar e Cacinho, premiados no último ano no concurso Trama Universitário por um videoclipe para música de Tom Zé. Motivados, os jovens realizadores continuam a produzir e acabaram de lançar o curta “Sofia”, recém-exibido na cidade. Para o assistente de direção e videasta paulista Eduardo Aguilar, o digital viabiliza e concretiza o processo prático do aprendizado. “Se pensarmos em utilizar a película nesse tipo de estrutura, estaríamos inviabilizando a realização de oficinas ou, no mínimo, confinando-as ao contexto teórico”, diz Aguilar, que viaja Brasil afora ministrando oficinas.
Qualidade da imagem
As produções cinematográficas em sistema digital, com cópia em fitas ou HD (disco rígido), podem ser exibidas tanto em tela grande quanto em aparelho doméstico de TV sem, no entanto, fazer com que as diferenças de imagem em relação à película passem incólumes pelo espectador.
“O que observo no dia-a-dia junto aos amigos, cinéfilos ou não, é que, nas exibições que têm utilizado cópias digitais, o público pouco se dá conta das diferenças de imagem, e em relação aos filmes realizados diretamente no suporte digital, as diferenças são percebidas ainda que de forma inconsciente através de um certo incômodo”, constata Aguilar, ressaltando que, caso o filme agrade enquanto proposta, isso não pesa na avaliação. “Evidentemente, os mais bem informados e que detêm maior capacidade técnica para avaliar as questões de definição de imagem reclamam em especial das exibições digitais de filmes captados em película”, diz o assistente de direção.
Para Aguilar, o público é quem menos se importa com as discussões estéticas. “Claro que, se nivelarmos por baixo e aceitarmos as atuais condições de qualidade do digital como definitivas, sem cobrarmos insistentemente pelo seu aprimoramento, isso acomodará os padrões de exigência de imagem em um patamar inferior”, alerta. Ainda não muito “encantado” com as vantagens do digital, o diretor Carlos Reichenbach - um dos mais respeitados diretores em atividade no Brasil, responsável, entre tantos, pelos mais recentes “Garotas do ABC” e “Bens confiscados” - considera o atual sistema de projeção digital uma televisão gigantesca.
“O cinema levou mais de cem anos para se aproximar da pintura, e a imagem digital jogou isso na latrina”, completa Reichenbach. “Não sou contra o digital, sou a favor da película para os filmes que exigem um trabalho acurado de cinematografia, mas rodaria tranqüilamente um longa todo com câmera numérica (digital) se precisasse de agilidade e pouquíssimos recursos técnicos”, justifica o cineasta.
O juizforano Franco Groia, em fase de finalização de seu último filme, “Chave”, em que utiliza processo de intermediação digital, diz que a principal diferença da película para o digital é o barateamento da produção com este último, além da promessa do também barateamento dos ingressos para o público, com as ainda incipientes projeções digitais. Para Groia, a tecnologia digital caminha para o aperfeiçoamento da imagem. “Vendo pela TV, não se tem perda alguma da imagem. Mas, na telona do cinema, a película é de longe a coisa mais cristalina e perfeita. A imagem feita de grãos de prata é algo diferente dos pixels do computador”, opina Franco.
Democratizar sim, mas sem banalizar
O cineasta juizforano Marcos Pimentel teme que o acesso facilitado pelo baixo custo do digital banalize o critério cinematográfico. “Democratizar é ótimo, mas, com fita digital barata, todo mundo está saindo para filmar. É comum ver pessoas com horas e horas de material. Quando chegam para editar, descobrem que fizeram a parte de pesquisa filmando. Só sabem qual filme deveriam fazer depois que deixaram de filmar. Precisamos continuar pensando à moda antiga”, diz Marquinhos.
Especialmente quando se trata de documentários, a praticidade do formato (digital) determina novas linguagens e um aumento significativo da produção. A produtora Flávia Lima, sócia da Groia Filmes, afirma que a grande maioria dos documentários é feita em vídeo digital. “Película é muito cara, e rolos de negativo 35mm duram quatro minutos, os de 16mm, 12 minutos. Em documentário, coisas inesperadas aparecem, e é legal não ter que parar para trocar um rolo de negativo”, explica Flávia.

A produtora ressalta que, no processo de finalização, pode-se transferir o documentário para o rolo de negativo, de forma que o filme rode em um projetor de cinema e possa participar de festivais como película. “Infelizmente, os cineastas vão acabar abandonando a película... Mas concordo que, como no documentário, a estrela é o assunto, a câmera numérica facilita tudo”, conclui Reichenbach.
A demora para a implantação do cinema digital não é pela qualidade de imagens, cores, contrastes... A briga é comercial. É briga pela venda de filme virgem para produção e cópias, é briga por distribuição e por exibição. Para o assistente de direção e videasta Eduardo Aguilar, será uma pena se o digital for imposto pelo rolo compressor do mercado. “Seria bem melhor que o caminho fosse o contrário, que através da ousadia e da experimentação, os jovens realizadores provocassem a melhora dessa ferramenta e a sua imediata implantação”, diz ele.
Aguilar entende que há certa resistência em abandonar a película. “Como se não bastassem as diferenças de qualidade a favor da película, ela guarda em si um certo ‘glamour’ que fascina a grande maioria dos envolvidos com o meio, mas entendo que a mudança é inevitável, e que o fator determinante será o econômico, o que já vem sendo percebido pela indústria de Hollywood; e, contra esse poder de discussão, todos serão voz vencida.”
Linguagem x formato
A maioria dos profissionais de cinema ainda considera o digital um formato. “A linguagem do cinema continua sendo do cinema. Claro que tem coisas que a TV aperfeiçoou, mas o cinema continua tendo esta hegemonia em forma de linguagem”, diz Franco Groia. Já Marcos Pimentel aposta que o digital vai acabar incorporando novidades à linguagem cinematográfica, mesma opinião de Eduardo Aguilar.
“Quando penso nisso, me vem à cabeça a idéia de uma linguagem já estabelecida que sofrerá mutações, mas não uma ‘nova’ linguagem. No entanto, admito que se pensarmos o digital além do suporte, enquanto processo de distribuição via internet, em uma provável interatividade, certamente, poderíamos estar falando de uma nova linguagem”, diz Aguilar.

Carlos Reichenbach enfatiza a necessidade de desmistificar a palavra digital como se ela fosse a “panacéia”. “Infelizmente, tem gente encarando o digital como uma linguagem. Por isso o cinema está ficando muito parecido com a televisão. Se o optical disk (suporte) ou qualquer outro suporte mais amplo e generoso que o negativo fotográfico for adotado mundialmente um dia, aí sim poderemos ver nascer uma nova linguagem, porque as possibilidades plásticas e inventivas do cinema se tornarão infinitas”, prevê.

Aguilar considera esta discussão ainda acanhada. “Como qualquer novidade, as pessoas temem as mudanças. Foi assim na troca do cinema mudo para o sonoro, do preto e branco para as cores. Acho que ocorreram perdas em ambos os casos, mas houve recomposição dessas perdas através de novos ganhos”, ressalta. Discussões à parte, o assistente alerta: “Assim como não faz sentido ter saudades da máquina de escrever, acho que é preciso explorar o digital, apontar suas falhas, mas trabalhar junto e a partir dele”.
Diferenças, vantagens e desvantagens
No cinema em película, a imagem atravessa a lente de uma câmera cinematográfica e vai impressionar o filme virgem. Finda a filmagem, o filme é retirado do chassis e mandado para o laboratório, passando pelo processamento caro de revelar, telecinar, criar efeitos especiais e editar. No cinema digital, a imagem também atravessa a lente de uma câmera, porém não sensibiliza uma película cinematográfica. A imagem é convertida imediatamente em sinal eletrônico e não é preciso filme virgem, além de os custos com compra de HD (hard disk) serem fixos. A edição é ágil - já que não precisa de moviola (mesa de montagem profissional) - e, quando fica pronta no arquivo do computador, faz-se a cópia final para exibição diretamente de HD para HD ou em fita para exibição em salas de cinema digital e TV. Computadores domésticos equipados com portas IEEE 1394 (FireWire, I-Link (Sony), Pinnacle DC-30 de preços entre US$500 a 3 mil) permitem editar, mixar e até mesmo adicionar efeitos especiais.

(Matéria publicada no Jornal "Tribuna de Minas" - 12 de março de 2006)

10 outubro 2005

Projeto de lei nº 2.670/2005


O Sr. Presidente - A Mesa passa a receber proposições.

- Nesta oportunidade, são encaminhadas à Mesa as seguintes proposições:

Projeto de Lei nº 2.670/2005
Determina a adaptação de caixas eletrônicos para utilização por pessoas portadoras de deficiência nas agências bancárias do Estado de Minas Gerais.
A Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais decreta:
Art. 1º - As instituições bancárias que atuam no Estado de Minas Gerais deverão adaptar, em cada agência bancária, pelo menos um caixa eletrônico para utilização por pessoas portadoras de deficiência física locomotiva.
Art. 2º - Esta lei entra em vigor da data de sua publicação.
Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das Reuniões, 22 de setembro de 2005.
Biel Rocha

Justificação:
Recentemente, o professor universitário, deficiente físico e cliente do banco Bradesco, Franco Groia, morador da cidade de Juiz de Fora, teve uma vitória inédita na Justiça, quando o Juiz Paulo Tristão Machado, da 8ª Vara Cível da Comarca de Juiz de Fora, condenou o banco a adaptar, no prazo de 30 dias, um caixa eletrônico do qual ele pudesse fazer uso sozinho, sem precisar ceder sua senha a nenhum desconhecido ou ter que se restringir a usar o banco apenas nos horários de funcionamento, das 10 às 16 horas.
Na sentença, o Juiz, além da indenização por danos morais, estabeleceu uma multa diária de R$500,00, em caso de descumprimento da determinação de adaptar ao menos um caixa eletrônico no prazo de 30 dias.
O Banco reduziu a altura de um dos caixas. "Mas ainda falta adequar alguns itens, como o tempo que o caixa concede a cada operação", diz Groia. "Para um deficiente esse tempo é implacável", completa. Os argumentos do advogado de Groia, acatados pelo Juiz, foram essencialmente calcados no Código de Defesa do Consumidor, que assegura ao cliente um atendimento de forma regular e eficaz. "Cabe ao banco, que se propôs a prestar os serviços bancários, adaptar-se às exigências do consumidor de seus serviços, e não o contrário", afirmou o Juiz em sua decisão.
O Bradesco usou em sua defesa, segundo consta da decisão, o argumento de que segue estritamente as normas do Banco Central, mais precisamente a Resolução nº 2.878 e a Lei nº 10.098, que dispõem sobre acessibilidade e autonomia de deficientes. Nenhuma delas obrigaria o banco a dispor de tal serviço para portadores de deficiência locomotiva. Mas o Juiz Paulo Tristão Machado Júnior diz que tais dispositivos citados pelo banco devem adaptar-se ao Código, e não o contrário. "O Bradesco, a maior instituição financeira privada do País, com lucros recordes de conhecimento geral, chegou ao absurdo de nesta audiência sugerir que o autor procure um banco que atenda suas necessidades", disse o Juiz. "Seria até mesmo politicamente mais viável atender a todos os consumidores dos seus serviços, sem exceção, do que desprezá-los e recomendar que procurem outra instituição".
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Bradesco informou apenas que o banco atendeu prontamente a decisão da Justiça, de forma a adaptar um de seus caixas de auto-atendimento a portadores de deficiência locomotiva.
Consideramos essa vitória histórica e verdadeiro marco na reafirmação dos direitos das pessoas portadoras de deficiências. Assim, apresentamos este projeto de lei, que visa a determinar aos bancos que atuam no Estado a imediata recepção da determinação contida na sentença, adaptando ao menos um caixa eletrônico em cada agência, demonstrando, assim, sua preocupação com o atendimento apropriado de todo e qualquer cliente.

- Publicado, vai o projeto às Comissões de Justiça e de Direitos Humanos para parecer, nos termos do art. 188, c/c oa rt. 102, do Regimento Interno.
(Fonte: Assembléia Legislativa de MG)

05 outubro 2005

Imagens de "Relações Modernas"


Imagens do curta-metragem "Relações Modernas", dirigido por Marcelo Esteves Freguglia e produzido por Franco Groia em 1996. Nas fotos, Flávia Lima e Robson Terra.

"Calçadão" por trás das câmeras



De cima para baixo, vemos o câmera Juarez Pavelak esperando a melhor luz para rodar a tomada; o ator Tadeu Santos concentrado para filmar o primeiro take do filme; e o diretor dirigindo o último ensaio com câmera da sequência final, em que a atriz Daniela Guimarães entra em cena. (Fotos de Sérgio Neumann)

Vote pela Paz, Vote pela Vida!!

Franco Groia apoia a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Se você pensa o mesmo, vote "2" em 23 de outubro.

03 outubro 2005

Modernidade acaba com cinemas antigos

“À espera de um milagre”. O título do filme exibido durante a última sessão do Cine Veneza reflete a situação das grandes salas de exibição de Juiz de Fora, que estão fechando por falta de público, graças à concorrência com os cinemas Multiplex nos shopping centers. Tudo indica que esta é a nova tendência neste ramo. O Central reabriu como sala de espetáculos, o Excelsior continua “fechado para reformas” e o Palace retornou dentro da nova estética, agora dividido em duas salas e com uma proposta de divulgação cultural. O único cinema tradicional que não sofreu nenhum tipo de mudança foi o São Luís, que sobrevive graças aos filmes pornográficos que exibe. Enquanto isso, o shopping Santa Cruz abre duas salas e o Alameda, três, o que confirma a idéia de que este fenômeno pode indicar o futuro no ramo de exibição de filmes em nossa cidade.
Antes eram quinze: Cine Central, Excelsior, Palace, Festival, Glória, Popular, Rex, Para Todos, São Luís, Benfica, Auditorium, Real, Paraíso, Instituto Jesus e São Mateus. Hoje o número caiu para nove, sendo seis delas dentro de shopping centers.
A trajetória dos cinemas em Juiz de Fora se confunde com a própria história da cidade. Até os anos 30, havia uma única sala de exibição. O Politheama parecia um circo que tinha, no lugar do picadeiro, uma tela de cinema. Mas o espaço começou a ficar reduzido para os sonhos dos juizforanos. A direção do Politheama aspirava por trazer para a cidade as companhias de cinema, teatro, ópera e balé que se apresentavam no Rio de Janeiro e em São Paulo. Com isso, as famílias ricas decidiram construir um teatro que pudesse tornar isso possível. Assim nasceu, em 1930, o Cine Teatro Central, construído para abrigar 2.064 pessoas. Em uma única semana eram exibidos três filmes diferentes. Artistas como Procópio e Bibi Ferreira se apresentavam em temporadas quinzenais, com uma peça diferente a cada dia. Hoje ele não é mais um cinema. Passou por uma reforma e foi reinaugurado em 1996, recebendo desde então peças de teatro e grupos de dança.
Depois do sucesso do Central, quatorze outras salas de exibição foram construídas. Os cinemas se tornaram mania na cidade. Não havia bares nem aulas noturnas. Além de servir ao entretenimento e à diversão, as salas de exibição eram o espaço onde se cruzavam os olhos e se uniam corações. O atual gerente dos Cines Santa Cruz e do Cine Star, Waltencir Pariezzi conta: “Para que os rapazes pudessem beijar as namoradas, eles se escondiam no cinema. As moças botavam roupas novas e desfilavam perto da fila da bilheteria”. Os cinemas que existiam na cidade eram especializados. O Excelsior só exibia filmes da Fox. Não acei-tava obras de outras companhias. O Cine Central adotava uma programação que contava com filmes de aventura e ação, voltados para as classes média e baixa. O Palace exibia romances e dramas. Como as opções, o público que lotava as salas de exibição era bastante eclético. Além das sessões especiais para mulheres, havia matinês para crianças. Pessoas de qualquer idade ou sexo faziam da platéia extensão de seus lares, e da tela, projeção de seus sonhos.
Waltencir Pariezzi descreve as peripécias dos jovens na frente dos cinemas. “A fila boba causava muita graça”. Era o meio que os estudantes tinham para reclamar do aumento do preço do bilhete. “Eles entravam na fila mas não compravam o ingresso. Quando chegava a vez, saíam e retornavam ao final. Queriam só tumultuar”. O cineasta Franco Groia afirma que a crise de audiência veio, em parte, com o advento dos vídeo-cassetes e das TV’s por assinatura. As salas de exibição deixaram de ser o único meio de distribuição cinematográfica. O preço aumentou e o prazer de assitir filme no cinema ficou mais elitizado. Antes, o cinema era um evento social mais frequente. Hoje, é mais individual e esporádico. A classe baixa só vai se tiver o apelo da mídia televisiva. Começam a surgir os “cinemas de shopping”.
O Cine Veneza nasceu na contramão desta tendência, no final da década de 80, como cinema de rua, tentando resgatar a tradição das grandes salas de exibição. Infelizmente acabou fechando por falta de público. Foi o último suspiro de uma tradição. A única sala tradicional que continua ativa até hoje é o Cine São Luís, que começou exibindo filmes normais para depois cair no circuito pornográfico. A gerente Dirce Parise afirma que o público é modesto, mas fiel. A mudança dos títulos é semanal mas ela afirma que muitas pessoas costumam ir todos os dias. De qualquer forma, o São Luís continua com o maior giro de espectadores de filme pornográfico da América Latina.
O Multiplex caminha no sentido de uma maior escolha por filmes e formação de um local próprio para lazer. Com três ou quatro salas pequenas exibindo o mesmo filme, o público passa a ter maior variedade de escolha de horários. Além disso a rotatividade é maior, com a média de um filme novo por semana. Desta forma, os grandes grupos distribuidores lucram mais com a percentagem das bilheterias. “A receptividade do público é boa”, diz a gerente dos Cines Alameda, Helena Farias. O único problema apontado por ela é o excesso de procura pelas salas. “Às vezes os ingressos se esgotam uma hora antes da sessão”, diz ela.
Quanto ao futuro das grandes salas hoje desativadas, as sugestões são as mais variadas. Helena sugere sua transformação em teatros. O cineasta Franco Groia sugere a formação de centros de convenção, junto com a exibição de filmes, pois o público não pode perder o direito à escolha de assistir a um filme numa grande sala, relembrando as tradições de uma era dourada da sociedade juizforana. O importante é que grandes salas se mantenham fiéis ao seu compromisso com a difusão cultural, prinicpalmente numa época em que o comércio insiste em dar as cartas. Inclusive na sétima arte.
(Matéria publicada no "Jornal de Estudo" da Facom-UFJF, 2001)

02 outubro 2005

Casal nota 10!

Grandes amigos de Franco Groia, o casal nota 10: Eduardo Scaldini e Sheilla Rattes Scaldini.

Entre amigos no DuoCine Santa Cruz



Fotos de Franco com os amigos Fernando Costa Jr., Alexandre Alvarenga (Xanxão), André Pires e com a galera da primeira turma de Cinema, TV e Mídia Digital da Universo de Juiz de Fora. As fotos foram tiradas pela Coluna Zum, Zum, Zum do Portal Ipanorama, por ocasião do Festival Primeiro Plano 2003.

Cinema é tema da "Oficina do Saber" no Shizen




Flagrantes da palestra "Cinema, História e linguagem do Cinema" dentro da programação da "Oficina do Saber" que aconteceu no Restaurante Shizen em Juiz de Fora em 14 de junho de 2005. Nas fotos, vemos o gostoso ambiente Rabata Bar, um espaço descontraído, com sofás, puffs e poltronas; além do momento do coffee break (na mesa estão: Flávia Lima, o coordenador da Oficina Sérgio Medeiros e o cineasta Franco Groia).

Blog cultural

Blog cultural
O cineasta Franco Groia estreou seu blog (http://francogroia.blogspot.com), que tem a proposta de juntar as faces de Franco Groia, o cineasta, o amigo, o juizforano, tudo que viveu e produziu com fotos exclusivas de bastidores e clipping.
(Jornal "Tribuna de Minas", Coluna Cesar Romero, dia 02 de outubro de 2005)

30 setembro 2005

Produção de alunos da UNIVERSO ganha prêmio

Curta produzido por alunos da UNIVERSO ganha prêmio em festival
Os alunos do curso de Cinema e Televisão da UNIVERSO/Juiz de Fora, Acácio Alves Pinto Júnior, Raoni Ladeira Vidal e Josy Giarola Alcântara, conquistaram o segundo lugar no concurso “Você é o diretor”, promovido pelo site Trama Universitário, visando à criação de um clipe para o músico Tom Zé. Com duração de cinco minutos, a animação em massinha foi feita para a música “A volta do trem das 11”, em que o músico presta uma homenagem a Adoniram Barbosa. Para participar do concurso, os candidatos podiam recorrer a técnicas de animação, flash ou vídeo. O próprio Tom Zé participou da seleção dos trabalhos. Mais de 30 produções de todo o Brasil foram inscritas no concurso.Animadíssimos com a conquista, os estudantes já estão pensando em realizar novos projetos em animação. “Ganhar esse prêmio foi muito emocionante e isso nos motiva a produzir ainda mais”.
Único na região
Com duração de dois anos, o curso superior em tecnologia de Cinema e Televisão – único do gênero oferecido na região - possibilita ao aluno aprender técnicas de direção, produção, fotografia, edição, filmagem e som na área de audiovisual. Entre a equipe de professores, nomes já conhecidos e premiados no meio audiovisual, como os diretores Rogério Terra Júnior, Franco Groia e Alexandre Alvarenga.
Clique aqui para conferir os clipes vencedores

(Informativo "Notícias" do site da Universo, setembro de 2005)

Deficientes tem acessibilidade garantida em bancos

O cineasta Franco Groia venceu, ontem, uma ação judicial contra o Banco Bradesco. O cineasta movia uma ação contra a instituição pela falta de um caixa eletrônico adaptado para deficientes físicos. Com a decisão, o Bradesco fica obrigado a providenciar um terminal para o atendimento deste público em um prazo máximo de 30 dias.
Caso a determinação não seja cumprida, o banco terá que pagar uma multa diária de R$ 500. A decisão foi tomada com base na Lei de Direito do Consumidor. O advogado de Franco Groia alegou a dificuldade de acessibilidade a um serviço prometido pela instituição. Groia reclama da falta de visibilidade da tela e da dificuldade de acesso ao teclado dos terminais.
O termo “auto-atendimento”, divulgado na publicidade do banco, foi considerado propaganda enganosa. 'O serviço não atende a qualquer pessoa que tenha limitações físicas ou visuais', afirma Groia.
(Jornal "Panorama", dia 11 de agosto de 2005)

Ministério Público cobra adequações em caixas eletrônicos

MP quer que banco faça adequações em caixa
O caixa de auto-atendimento adaptado pelo Bradesco para pessoas com deficiência foi considerado inadequado para essa clientela. Esta foi a conclusão do promotor de Defesa do Consumidor, Plínio Lacerda, que ontem visitou a agência da Rua Halfeld com o cineasta Franco Groia, autor de ação contra a instituição por falta de acessibilidade. Segundo Plínio, foi emitido auto de constatação das dificuldades verificadas. Além disso, será providenciada a elaboração de laudo técnico e agendado novo encontro com o banco. A meta é firmar termo de ajustamento de conduta. De acordo com Franco, embora tenham sido providenciados recuo para entrada da cadeira de rodas e redução da altura, ainda são necessárias modificações.
O Bradesco afirma que o assunto está sub judice e que a agência está à disposição do cliente para atendê-lo em todas as suas necessidades bancárias.
(Jornal "Tribuna de Minas", dia 30 de setembro de 2005)

28 setembro 2005

Chave, o filme

Foto de Samir Hauaji, no filme "Chave", dirigido por Franco Groia.

Preto e branco

Preto e branco
O realizador do Festival de Cinema de Juiz de Fora – Primeiro Plano, Franco Groia, investe em mais um projeto. Em julho, ele lança na cidade, o Black and White - Festival Brasileiro de Cinema Preto e Branco - único do gênero no país. A idéia é promover e exibir filmes brasileiros de longa, média e curta metragens realizados originalmente em preto e branco, por jovens produtores, que encontrarão a oportunidade de apresentar e discutir filmes diferentes, inovadores e clássicos do cinema mundial. Outro objetivo é estimular e incentivar a contínua preservação e valorização da produção nacional dos filmes.
(Jornal "Tribuna de Minas", Coluna "Cesar Romero", dia 22 de abril de 2005)

Retrato em branco & preto do cinema

Black and White - Retrato em branco & preto do cinema
As novas tecnologias do cinema digital, por incrível que pareça, estão reforçando a divulgação dos filmes em preto e branco (P&B), na medida em que permitem a transferência de suporte de importantes obras da história do cinema. Surpreendido com esta formação de um novo mercado e com a falta de informação sobre a produção atual em P&B, o cineasta e professor de História do Cinema Franco Groia decidiu criar o "Black and White - Festival Brasileiro de Cinema Preto e Branco". O evento está programado para acontecer em Juiz de Fora, e pretende mapear o que é feito hoje em dia no cinema sem technicolor, além de discutir linguagem, avanços tecnológicos e preservação da memória audiovisual, dando visibilidade para o preto e branco.
“Não sabemos quantos filmes em P&B são produzidos atualmente no Brasil e no mundo, mas temos certeza de sua importância como linguagem. Até hoje, aprende-se cinema realizando em P&B”, afirma Groia, idealizador e coordenador geral do festival, citando grandes obras mais recentes, como “A lista de Schindler” (Steven Spielberg), “Psicose” (Alfred Hitchcock) e “Asas do desejo” (Win Wenders), filmadas sem technicolor anos depois de a cor dominar o cinema e a televisão.

Abaixo a ditadura da cor
“O cinema nasceu preto e branco e mudo. Esta é sua essência, sua linguagem pura”, defende Groia. “Até hoje, os melhores fotógrafos do mundo têm preferência pelo P&B, porque a cor distrai o olhar.” O coordenador da mostra lembra que o primeiro longa colorido foi “O mágico de Oz”. No filme, foram utilizadas as duas tecnologias para contar a história da menina Doroty. Quando o filme mostra a realidade da garota, é usado o P&B. A cor só aparece no mundo da fantasia.
“Há toda uma geração que tem aversão ou estranhamento ao P&B, considerando, erroneamente, estas produções como filmes menores. Averiguei em diversos fóruns e debates sobre o cinema e não encontrei nenhum evento dedicado ao preto e branco. Por isto decidi criar o Black and White”, justifica. Até 28 de maio, na mostra competitiva, podem ser inscritos filmes de qualquer formato, desde que em preto e branco, realizados a partir de janeiro de 2003. Obras anteriores poderão entrar nas mostras paralelas, que incluem clássicos do cinema em preto e branco.
A expectativa de Groia é despertar o interesse dos jovens realizadores, oferecendo a oportunidade de apresentar e discutir filmes diferentes, inovadores e vários clássicos do cinema mundial, norteadores da produção audiovisual em toda a história da cinematografia mundial. Estão programadas mostras de filmes e vídeos, oficinas, encontros e debates, onde serão discutidos os rumos da produção audiovisual e a necessidade de se democratizar o cinema, principalmente o realizado em preto e branco.
As inscrições podem ser feitas pelo site www.blackandwhite.com.br até o dia 28 de maio

(Jornal "Tribuna de Minas", dia 27 de abril de 2005)

Blog interativo


Interatividade

O cineasta juizforano Franco Groia inaugurou seu blog oficial. O espaço compila dados de sua vida, produções e making off, matérias e amigos. Quem quiser conhecer, o endereço é http://francogroia.blogspot.com/

(Jornal Panorama, Coluna Douglas Fazolatto, dia 28 de setembro de 2005)

27 setembro 2005

"Labirinto de Pedra" na TVE Rede Brasil


Filme sobre Pedro Nava vai ao ar hoje na TVE Rede Brasil
A TVE Rede Brasil exibe hoje, às 23h30, o longa-metragem "Labirinto de Pedra", no qual o mineiro de Ponte Nova radicado em Juiz de Fora José Sette enfoca a vida e a obra do memorialista juizforano Pedro Nava. A estréia da produção local, da Groia Filmes Cinematográfica, acontece no programa "Cadernos de Cinema", seguido de debate. A obra foi filmada em Juiz de Fora e Belo Horizonte, entre setembro e outubro do ano passado, com orçamento de R$ 30 mil, mais de 80% deles vindos da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, e conta com a participação de atores locais, como Natálio Luz, que encarna o papel principal, além de Marcos Marinho, Robson Terra, José Eduardo Arcuri, Guilherme (Gueminho) Bernardes e Daniela Guimarães.
O filme que o público poderá conferir hoje é uma realização de um sonho antigo de Sette, que era ter Nava em seu filme mais famoso, "Um filme 100% Brasileiro", que narra a vinda ao Brasil do poeta modernista franco-suíço Blaise Cendrars, grande descobridor do barroco mineiro, e seu encontro com os modernistas da Semana de 22. Em 1980, ele chegou a se encontrar com Nava no apartamento de Carlos Drummond de Andrade e no do próprio médico memorialista, mas não conseguiu convencê-lo a vencer a depressão e participar da obra, na qual encontraria os modernistas no Café Moderno, onde se reunia o Grupo Estrela, de Drummond. Nava perseguiu Sette todos estes anos, até que "Labirinto de pedra" se concretizasse.
"Tentei resgatar a alma modernista de Oswald de Andrade e seus amigos, que naquela histórica viagem redescobriram a importância do barroco mineiro para o movimento de 22. É um filme de ficção que resgata esses encontros perdidos e retoma, de maneira poética, com trechos e esquetes, situações e histórias, o olhar afiado, singular, cheio de detalhes significativos na visão modernista desse médico e escritor enigmático chamado Pedro Nava", diz Sette em texto de apresentação do filme. O roteiro do filme se inspirou em obras clássicas como "Baú de ossos", "Chão de ferro", "Beira mar" e "Galo das trevas", "até culminar no silêncio enigmático dos telefonemas não atendidos, cinematográfico prenúncio de seu fim, limite entre a ficção e o documentário."
(Jornal "Tribuna de Minas", de 09 de maio de 2004)

Labirinto de pedra





Fotos do longa "Labirinto de pedra", sobre o poeta juizforano Pedro Nava, dirigido por José Sette e co-produzido pela Groia Filmes em 2004.

"Calçadão" em cartaz em Fortaleza

A. I., INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (A. I., Artificial Intelligence, EUA, 2001), de Steven Spielberg. Com Haley Joel Osment, Jude Law e William Hurt. BENFICA 1. 14h, 17h e 20h. NORTH SHOPPING 2. 14h50m, 17h50m e 20h40m. SÃO LUIZ-CENTRO. 14h30m, 17h20m e 20h10m. SÃO LUIZ-IGUATEMI 3. 14h20m, 17h10m e 20h. 14 anos. 160 minutos. Numa sociedade do futuro marcada por rígido controle da natalidade, robôs substituem a mão de obra humana. David, um menino-robô criado para substituir o filho de uma família, é abandonado e inicia jornada para recuperar o amor da mãe. Ficção-científica baseado em conto de Brian Aldiss, concebido por Stanley Kubrick e feito pelo diretor de "Contatos Imediatos do Terceiro Grau".
BICHO DE 7 CABEÇAS (Brasil, 2000), de Laís Bodansky. Com Rodrigo Santoro, Othon Bastos e Caco Ciocler. ESPAÇO UNIBANCO DRAGÃO DO MAR 2. 15h, 16h40m, 18h10m, 19h40m e 21h20m. SÃO LUIZ-IGUATEMI 2. 15h10m, 17h, 18h50m e 20h40m. NORTH SHOPPING 3. 14h30m, 16h10m, 17h50m, 19h30m e 21h10m. 14 anos. Flagrado pelo pai com maconha, jovem é colocado num manicômio a fim de se recuperar. Mas lá dentro vive um verdadeiro inferno. Drama baseado no romance "O Canto dos Malditos", de Austragésilo Carrano.
O DOM DA PREMONIÇÃO (The Gift, EUA, 2001), de Sam Raimi. Com Cate Blanchett, Keanu Reeves e Hillary Swank. ART-IGUATEMI 1. 16h, 18h15m e 20h30m. ART-IGUATEMI 2. 20h. NORTH SHOPPING 5. 14h20m, 16h30m, 18h40m e 20h50m. ALDEOTA 1. 14h, 16h20m, 18h30m e 20h30m. 110 minutos. 16 anos. Vidente generosa ajuda diretor da escola de seus filhos a localizar sua noiva, a qual teve caso com inúmeros homens da cidade. Suspense feito pelo diretor da série "Uma Noite Alucinante".
MOULIN ROUGE, AMOR EM VERMELHO (Moulin Rouge, Love in Red, EUA, 2001), de Baz Luhmann. Com Nicole Kidman, Ewan McGregor e John Leguizamo. ALDEOTA 2. 13h30m e 18h. NORTH SHOPPING 6. 14h05m, 16h25m, 18h45m e 21h05m. ART-IGUATEMI 2. 15h e 17h30m. 126 minutos. 14 anos. Paris, 1900. Bela cortesã e estrela da maior espetáculo da cidade, o Moulin Rouge, desafia as ordens e convenções ao se apaixonar por um jovem escritor. Musical feito pelo diretor de "Romeo Á Julieta".
A SENHA (Swordfish, EUA, 2001), de Dominic Sena. Com John Travolta, Hugh Jackman e Halle Berry. SÃO LUIZ-IGUATEMI 1. 15h, 16h50m e 18h40m. NORTH SHOPPING 4. 15h15m, 17h15m, 19h15m e 21h15m. BENFICA 2. 14h30m, 16h30m e 18h30m. 99 minutos. 14 anos. "Hacker" proibido de pegar em computadores é contratado por patriota americano para saquear fundos ilegais do governo depositados nos bancos internacionais. "Thriller" de ação feito pelo diretor de "60 Segundos".
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (Brasil, 2001), de André Klotzel. Com Reginaldo Faria, Sonia Braga e Petrônio Gontijo. ESPAÇO UNIBANCO DRAGÃO DO MAR 2. 16h, 19h20m e 21h30m. 102 minutos. 12 anos. Após a sua morte, o fantasma de Brás Cubas decide narrar suas memórias e revisar alguns fatos marcantes de sua vida. Comédia dramática feita pelo diretor de "Marvada Carne".
O DIÁRIO DE BRIDGET JONES (Bridget Jone's Diary, Inglaterra, 2001), de Sharon MaGuire. Com Renée Sellwegger, Hugh Grant e Colin Firth. ALDEOTA 2. 15h45m e 20h30m. NORTH SHOPPING 1. 15h, 17h, 19h e 21h. 97 minutos. 14 anos. Londrina solteira de 30 anos, mora sozinha, fuma como caipora, aprecia de álcool e homens, e registra em seu diário a nova aspiração de sua vida: encontrar o homem ideal. Drama romântico, estréia de MaGuire na direção, adaptação do romance de Helen Fieldging.
CURTA PETROBRÁS ÀS 6 - ESPAÇO UNIBANCO DRAGÃO DO MAR 2. 18h. Exibição dos curtas mineiros "O Calçadão, Onde de Tudo Acontece", de Franco Groia; "Os Fantasmas da Cidade", de Rogério Terra Jr.; e "Janela Para o Caos", de José Sette.

(Jornal "Diário do Nordeste" - dia 09 de setembro de 2001)