19 outubro 2009

I Conferência Municipal de Cultura de Juiz de Fora define prioridades para o setor

Dez prioridades foram definidas durante as discussões da I Conferência Municipal de Cultura de Juiz de Fora, realizada pela Funalfa no último fim de semana, entre os dias 16 e 18. Além de estabelecer metas nas esferas nacional, estadual e municipal, o encontro serviu para eleger os delegados que representam Juiz de Fora na II Conferência Estadual de Cultura. Entre os membros da Sociedade Civil, foram eleitos Carlos Alberto Campos, Franco Gróia e Elisângela Pires, tendo como suplentes Régis José de Oliveira (Régis da Vila), André Luiz Brasilino e Wilton Dias Cordovil. Como Entidade Cultural, foram eleitos Jefferson Januário (Negro Bússola) e o suplente Valdir Carvalho da Silva. O delegado da Funalfa é o superintendente da unidade, Toninho Dutra e sua suplente é Fernanda Amaral. A delegada representante dos Órgãos Públicos é Emília Sandra Costa Barcelos (Sandra Emília).

A II Conferência Estadual de Cultura deve ser realizada até dezembro deste ano. A etapa posterior do processo é a Conferência Nacional de Cultura, prevista para março de 2010. “A conferência foi marcada pela democracia e pluralidade, apesar da baixa adesão da classe artística. Tivemos 200 inscrições, mas somente 118 pessoas participaram efetivamente dos trabalhos. No entanto, os que estiveram presentes imprimiram seriedade às discussões, garantindo a consistência das propostas levantadas no encontro”, avaliou o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, que também foi o coordenador executivo da conferência. Ele disse que as discussões seguem com o processo de criação do Sistema Municipal de Cultura. “Quando esse processo estiver encerrado, a cidade estará apta a filiar-se ao Sistema Nacional de Cultura. Seremos um dos primeiros municípios a atingir essa condição”, afirmou Toninho.

Confira as prioridades:

- No âmbito municipal:

1 – Realização de diagnóstico e censo cultural a cada quatro anos, a partir de 2011, para mapear os espaços culturais e os agentes já atuantes nas diversas regiões de Juiz de Fora, assim como as manifestações culturais nelas realizadas. Estes instrumentos abrangeriam as vocações artísticas de cada local e as necessidades (materiais, humanas, de adaptação à diversidade e à acessibilidade universal) de cada um deles. A Funalfa e o Conselho Municipal de Cultura (Concult) coordenarão as atividades do censo e do diagnóstico.

2 – Mobilização e conscientização da classe artística local, envolvendo os agentes culturais de todas as regiões da cidade, para a participação nos fóruns permanentes organizados pelo Concult. Essas ações permitiriam que as necessidades de cada uma das áreas artísticas e regiões de Juiz de Fora fossem levantadas e encaminhadas para a elaboração de um Plano Municipal de Cultura (PMC), o que garantiria que as políticas públicas culturais elaboradas não se limitassem a apenas uma administração municipal.

3 – Criação de uma rede de pontos de cultura municipais, em ampliação e integração à política homônima do Governo Federal.

4 – Criar a Secretaria Municipal de Cultura, incorporando a Funalfa em sua organização administrativa.

5 – Criação de uma política educacional de formação continuada para professores, artistas, arteeducadores e produtores culturais, com ênfase na diversidade cultural local.

6 – Investimento em instrumentos para capacitação dos agentes culturais já existentes em Juiz de Fora e região, assim como formação de novos agentes. Um dos meios para a capacitação e a formação seria o oferecimento de cursos que abordassem temas como produção cultural e gestão de projetos.

- No âmbito estadual:

1 – Descentralização da Secretaria Estadual de Cultura

2 – Isenção por parte do governo estadual das taxas de segurança pública e do Ecad para manifestações caracterizadas como festas populares, com histórico popular e sem fins lucrativos

- No âmbito nacional:

1 – Estabelecer e estimular a formação de ações diversificadas de integração da cultura nacional, por meio de programas de quantificação, divulgação, difusão e circulação, em que haja o intercâmbio entre as regiões brasileiras. Com este objetivo, o MinC deve garantir espaço relevante nos meios de comunicação, de forma democrática, às manifestações da diversidade cultural e aprimorar os mecanismos de mensuração dessa produção, com vistas à melhor distribuição dos recursos públicos em todos os níveis da federação.

2 – Ampliação dos recursos econômicos para setores ligados à preservação do patrimônio cultural - material, imaterial e natural -, possibilitando também a implementação permanente de um Projeto de Educação Patrimonial, aliada a uma definição de política de utilização dos espaços tombados.

*Informações com a Assessoria de Comunicação da Funalfa, pelo telefone 3690-7044

18 dezembro 2007

Quando o baixo é o instrumento principal

De instrumento-base a estrela de uma banda inteira, nas mãos de Dudu Lima o contrabaixo perde o ar de coadjuvante para assumir o papel principal. Aos 35 anos, o baixista juizforano acumulou a experiência que o público pode conferir em seu primeiro DVD, cujo lançamento acontece nesta quarta, no Comemorare. “20 anos de pura música” traz muitas participações especiais, entre elas a de Stanley Jordan, que há sete anos escolheu Dudu para acompanhá-lo em todas as suas apresentações pelo Brasil.

A parceria dá ao público da cidade o privilégio de ver Dudu e Jordan tocando juntos e ao vivo pela quarta vez, no show que terá ainda Big Joe Manfra e Ivan Conti Mamão (Azymuth), além do quarteto local Weber Martins, Dudu Viana, Ricardo Itaborahy e Leandro Schio. “Somos amigos há décadas. Dividir o palco com eles é olhar para trás e saber que o rumo tomado foi bom, provocou a união, a amizade e o crescimento conjunto de técnica, concepção e amizade”, diz Dudu.

O repertório será baseado no DVD, cujo material havia sido gravado em outubro de 2006, mas a disponibilidade de Jordan em participar do registro fez todo mundo voltar para o palco dois meses depois, quando o guitarrista excursionava pelo país. Os dois primeiros discos de Dudu, “Regina” e “Nossa história”, foram integralmente autorais. Desta vez, ele optou por registrar as músicas que mais marcaram sua carreira, utilizando baixo acústico e elétrico. “É um resumo do que fiz nestes 20 anos”, sintetiza, frisando que há muita música brasileira, além do jazz, que permite maior liberdade ao contrabaixo com mais freqüência que outros estilos.

“Quando se fala em jazz, imagina-se logo os standards americanos, mas, na verdade, estamos falando de música instrumental. Sempre toquei muita música mineira, ‘Cravo e canela’, ‘Nascente’ fazem parte do meu repertório, mas escolhi ‘Clube da esquina 2’ para fazer parte do disco porque tinha um arranjo que toco há 15 anos”, explica Dudu, dizendo que Milton Nascimento foi sua primeira influência - “lá em casa todo mundo ouvia” -, sem deixar de citar Toninho Horta. Neste formato das mais tocadas, entraram para o disco “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), “Brasileirinho” (Waldir Azevedo), “O trenzinho do caipira” (Villa-Lobos) e “Mercy, mercy, mercy” (Joe Zawinul), além de composições próprias, como “Regina”, gravada por Stanley Jordan em seu próximo CD.

Música espiritualDudu começou a tocar aos 11 anos. Aos 13, já ganhava dinheiro com música e, aos 15, dividia seu tempo entre dar aulas na cidade e estudar com Yan Guest e Adriano Giffoni, no Rio. O que estimulou tanto trabalho desde cedo? Dudu explica: “L0go que comecei a tocar, ganhei uma fita de vídeo do baixista americano Jaco Pastorius, que influenciou toda uma geração. Isso foi por volta de 1985, quando Jaco morreu. Antes dele, havia contrabaixistas acústicos de destaque, mas foi ele quem definiu o contrabaixo como instrumento solo. Na minha inexperiência, entendia pouca coisa do que estava vendo, mas sabia o que queria estudar, o que queria fazer com a música. Isso me deu uma direção, um caminho a seguir.”

E este caminho é muito próximo daquele seguido por Stanley Jordan. Ambos compartilham a mesma visão da música como algo espiritual. “Depois do primeiro show que fizemos, ele me deu um abraço e ficamos conversando por umas quatro horas. Acho que temos uma telepatia musical. A pessoa que ele é, a afinidade que a gente tem, o jeito de ver as coisas com profundidade e mais de 120 shows juntos. Tudo isso nos mostra o lado espiritual da música. Somos profissionais, vivemos disso, mas a música tem um lado de vocação, de transformação, que queremos levar para todo mundo”, diz Dudu.

Para Dudu e Jordan, esta extensão “para todo mundo” pode não incluir os meios de comunicação de massa, mas passa por hospitais e favelas. O mesmo show que fizeram no Teatro Municipal de São Paulo há pouco tempo foi apresentado na favela do Capão Redondo. “Não há diferença na receptividade, só no cenário”, afirma o baixista, acrescentando que, no mesmo dia, a comunidade recebeu shows de Lecy Brandão e de um DJ, além dos instrumentistas, sabendo apreciar todos os estilos.
Produção juizforana
Dudu Lima faz questão de dizer que pode tocar no mundo inteiro, mas não quer sair de Juiz de Fora, e que o DVD é resultado do trabalho de gente da cidade. “O que ganho por estar aqui é muito. É estar feliz com a vida.” Produzido pela Gravatás Arte e Cultura, o DVD contou com as empresas juizforanas Arca Music e Groia Filmes.

A Groia Filmes aposta no bom resultado do DVD de Dudu Lima para captar recursos para os filmes “Lanterna Mágica” e “Tedem”, ambos habilitados na Lei Rouanet. O primeiro, com roteiro e direção de Alexandre Alvarenga (Xanxão), conta a história fictícia de um diretor de cinema frustrado que tenta realizar um filme sobre Carriço. Comandado por Franco Groia, “Tedem” é um vídeo documentário sobre a concepção do instrumento e do método de ensino de música criado por Estêvão Teixeira.

- Nesta quarta, às 22h no Comemorare (Rua José Lourenço nº 714 - São Pedro.). Ponto de venda: Microtools, Phormar e Livraria Leitura. Informações: 3217-7595.
(Publicado no Jornal Tribuna de Minas, 18 de dezembro de 2007)

17 dezembro 2007

Novos filmes

Flávia Lima e Franco Groia, da Groia Filmes, a todo vapor na produção de dois longas.Eles foram habilitados pela Lei Rouanet para o projeto de “Lanterna Mágica” (filme sobre Carriço iniciado por Alexandre Alvarenga) e o documentário sobre o revolucionário “Método Tedem de Musicalização”, criado por Estevão Teixeira.

(Publicado na Coluna Cesar Romero do Jornal Tribuna de Minas, 16 de dezembro de 2007)

23 setembro 2007

Movimento Contemporâneo

Performances e reflexões sobre o universo da dança

“Um momento para discutir linguagens contemporâneas inseridas na dança.” É assim que a diretora da Ekilíbrio Cia. de Dança, Christine Silmor, define o Movimento Contemporâneo, que, este ano, está em sua segunda edição e se desenvolve a partir do tema “A construção de linguagens artísticas fora dos grandes centros”. O evento, direcionado para artistas, produtores, terapeutas e apreciadores da dança em geral, teve início ontem e continua hoje com apresentações performáticas e debates gratuitos, no Teatro do Pró-Música. Para a entrada, pede-se apenas a doação de um material de limpeza ou higiene.

A sessão de performances e espetáculos de dança será realizada das 19h30 às 21h30 e terá a participação de sete grupos de Juiz de Fora. Do Rio de Janeiro, virá a Cia. Eu com Ela, apresentando “Mana tão longe tão perto”, e de São Paulo, a Cia. de Dança Ame, com o show “Quem colabora em ou participa de outrem”. Entre as criações de companhias locais, o público poderá conferir “Pedaços de mim”, do Espaço de Dança JF, “Territórios”, da Voz do Corpo, “Trêmula”, da Y Cia. de Dança, e “60”, da Inércia Zero, além de “Mudança”, de Soraia Ramos, “À la table”, de Lia Mota, e “4’33”, de Raíssa Ralola.

Segundo Christine Silmor, a intenção é promover uma troca de linguagens e apresentar à cidade o que os grupos locais e de grandes centros, como Rio e São Paulo, têm pesquisado em termos de dança contemporânea. Ela afirma que esse movimento de pesquisa e prática está apenas começando em Juiz de Fora, e a expectativa é fazer este evento crescer a cada ano.

Ela defende a interação entre todas as formas de manifestação artística e considera que, atualmente, quem trabalha com arte deve saber utilizar os elementos tecnológicos disponíveis. E é sobre esse assunto que os convidados da mesa de debates deste sábado vão discutir, hoje às 21h30. Edson Leão falará sobre a perspectiva da música, Giovane Aguiar fará colocações sobre a dança, Marcos Marinho abordará aspectos do teatro e Franco Gróia responderá sobre questões relacionadas ao audiovisual. A mesa será mediada pelos filósofos Maria Helena Falcão e Thiago Adão Lara.

(Fonte: TM de 22 de setembro de 2007)

02 setembro 2007

Cinema em foco - À espera de um filme

Os juizforanos poderão assistir, ao mesmo tempo que o resto do país, o nacional "Cidade dos homens", que chega hoje às salas de todo o Brasil. No entanto, terão que esperar mais um pouco para conhecer a última produção do diretor Daniel Filho, “Primo Basílio”, que estreou em 24 de agosto e está previsto para aportar por aqui apenas na próxima semana. Mas atrasos e ausência de bons lançamentos não são novidade para os amantes da sétima arte da cidade. “Saneamento básico”, “O cheiro do ralo”, “Babel”, “Déja vu”, “A rainha” e “Dream girls - Em busca do sonho” chegaram por aqui 30 dias depois de estrearem nas principais salas do país. Longe de exageros, “Apocalypto” e “Borat” superaram um mês de atraso, só ficando à frente de “O último rei da Escócia” e “O bom pastor”, que estrearam em Juiz de Fora 90 dias depois, enquanto que os estrangeiros “Pecados íntimos” e “Cartas de Iwo Jima” e os brasileiros “Cão sem dono” e “500 almas” nem deram o ar da graça por aqui. Exibidores e distribuidores não conseguem chegar a um acordo em relação aos motivos desse descompasso. A falta de cópias é o argumento dos donos de cinemas, contestado pelos distribuidores, que alegam desinteresse destes por filmes que não tenham bilheteria garantida.
As estudantes Raquel Ribeiro, 14, Luara Herédia, 15, e Nayelle Sales, 16, lamentam que o “Primo Basílio” esteja demorando tanto para entrar no circuito juizforano, acreditando “não haver, aqui, salas suficientes para atender o mercado nacional e internacional”. Em 2004, a jornalista Adriana Abrantes, 27, saiu de Juiz de Fora rumo a Belo Horizonte para ver o filme “Em carne viva”. “Era um filme que eu queria muito ver no cinema, com a magia que o DVD não tem”, lembra. Esse ano, mais uma frustração para Adriana, que esperou por “Maria Antonieta”, que estava, inclusive, entre os indicados ao Oscar, e nada.
Entre as distribuidoras e as salas de exibição
Segundo especialistas, o foco do problema está na ditadura econômica, na qual distribuidoras e salas de projeção se encontram submetidas. “Aqui no Brasil, 85% das salas são dominadas por filmes comerciais como ‘Homem-aranha’ e ‘Os Simpsons’, restando somente 15% para a produção nacional ou filmes de arte e documentários”, comenta o cineasta Marcos Pimentel, que acredita ainda que o problema se agrava na medida em que não sobra verba para publicidade da produção nacional, dificultando o lançamento em muitas praças. De acordo com o cineasta Rogério Terra, são produzidos cerca de 50 filmes de qualidade por ano no Brasil, “com quesitos que agradam o apelo popular”. Mas ainda assim predomina-se a hegemonia do “cinema pipoca”, ou seja, as grandes produções americanas. “Não é mais justificativa dizer que o Brasil não produz cinema de qualidade. Há, ainda, certo preconceito com relação a alguns filmes”, completa.
Cópias insuficientes ou falta de interesse
O consenso é em relação às distribuidoras, que “produzem um número insuficiente de cópias”, como afirma o professor de cinema Nilson Alvarenga. No entanto, ações como a “cota de tela”, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que estipula a exibição de cerca de 30 filmes nacionais, ao longo do ano, em todos os cinemas, não são suficientes para abraçar o enorme volume de produções brasileiras. “É muito pouco para esses filmes que contam com a divulgação boca-a-boca”, conclui Marcos Pimentel. O fundador do grupo de cinéfilos Luzes da Cidade, Paulo Campos, também deposita sua esperança em uma maior divulgação das produções nacionais e/ou alternativas, apontando que entre dez pessoas, sete não querem alugar lançamentos brasileiros por não conhecerem o produto.
Na mesma trilha, o diretor de programação do grupo Cinearte Palace (SP), Ademar Oliveira, revela que, para um filme chegar, ao mesmo tempo, nas principais cidades brasileiras, e isso inclui as de porte médio como Juiz de Fora, deveria ter 400 cópias. O gerente do Duocine Santa Cruz, Marcelo Magalhães, e a subgerente do Moviecom Alameda, Adriana Cecília de Paula, completam afirmando dependerem da disponibilidade da distribuidora, que “sempre opta por atender primeiro aos grandes centros, para depois alugar as cópias para o interior”. Questionada sobre o esperado e indicado ao Oscar “Cartas de Iwo Jima”, Adriana confessou que o longa foi oferecido a ela, mas a demora fez com que o longa perdesse a concorrência para obras mais modernas. “Na época, eu já tinha outros lançamentos mais interessantes e novos para ocupar as salas”, argumenta.
O gerente de programação da Rio Filmes, Airton Correia, garante que os cinemas juizforanos é que não se interessam por alguns filmes. “’Brasileirinho’ e ‘500 almas’ são exemplos de produtos que nós colocamos à disposição de Juiz de Fora e até agora nenhuma das salas se interessou. O número de cópias não é o problema se não temos espaço para entrar”, se defende. Segundo ele, na hora de escolher, o exibidor, sobretudo aquele com poucas salas, opta pelos blockbusters, produtos de maior rentabilidade. Para driblar o “jogo de mercado”, que empata a relação distribuidora e exibidora, o professor de produção audiovisual Franco Gróia contesta Airton Correia afirmando que a oferta é muito pequena. Além disso, Gróia aponta caminhos capazes de fomentar o contato entre os exibidores e o público. “O foco é a questão do gosto. O que os espectadores gostam? Qual é o perfil do público hoje?”. As perguntas, para ele, podem ser respondidas com uma criteriosa e permanente pesquisa, que, a médio prazo, vai determinar o que a população irá consumir.
Conforme dados da distribuidora Columbia Tristar (SP), foram feitas 58 cópias de “Saneamento básico” e 163 de “Primo Basílio”. Números muito pequenos se compararmos com as 402 cópias de “Os Simpsons”, as 450 de “Harry Potter” e as 600 de “Homem-aranha 3”. Muita discrepância? Não para os distribuidores, que, para mapear a disponibilização das películas, realizam uma estimativa sobre o potencial do produto, com a “finalidade única de não gerar prejuízos para a mesma”. É o que relata o programador da Columbia, Waldomiro de Barros, que ainda vai além. “Com base em nossa experiência é que ditamos quantas cópias serão feitas de cada filme e onde alugaremos primeiro, porque se você faz uma abertura grande para um produto médio, você perde dinheiro”, explica.
(Fonte: TM de 31 de agosto de 2007)

03 agosto 2007

PBH sanciona lei sobre braile em bancos


Os deficientes visuais de Belo Horizonte serão os primeiros no Estado a ter direito a teclas em braile nos caixas eletrônicos das agências bancárias da capital. A mudança é fruto da lei nº 9.421/07, do vereador Fred Costa (PHS), e vai beneficiar milhares de pessoas. A lei foi sancionada ontem pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), mas os bancos ainda terão o prazo mínimo de 180 dias e máximo de 365 dias para se adequar.


A Prefeitura de Belo Horizonte informou, por meio de sua assessoria, que ainda não há previsão para regulamentar a lei, ou seja, colocá-la em prática. O motivo seria decidir qual será o órgão fiscalizador. Para o professor Evandro Saito Freimann, do Instituto São Rafael, o prazo para a regulamentação e adequação da lei é importante para não se correr o risco de ter uma lei fantasma. "Deficientes com dificuldade em lidar com tecnologia serão os mais beneficiados", comentou.


(Fonte: O Tempo: 03/08/2007)

12 julho 2007

Obra no Cine São Luiz é interrompida

Depois da tentativa de embargo das obras no Cine São Luiz na segunda, os fiscais da Secretaria de Política Urbana (SPU) voltaram ao local ontem, lacraram o prédio e entregaram a notificação de embargo e infração da obra a um contador local da Cia. Franco-Brasileira, proprietária do imóvel. “Paralisamos as obras, pois não havia licença para operar, e os responsáveis terão que se apresentar à junta de julgamentos fiscais para decidir sobre a penalidade”, disse o supervisor da Regional Centro da fiscalização da Prefeitura, Jurandir Alves Moreira.

De acordo com a fiscalização, qualquer tipo de imóvel que passar por mudanças em sua estrutura precisa de alvará de construção, sejam eles comerciais ou residenciais. No caso de demolição, como aconteceu no Cine São Luiz, existe ainda uma autorização especial, e nenhuma delas teria sido requisitada à Prefeitura. Os proprietários têm sete dias para apresentar suas justificativas.



A denúncia de que o imóvel estava sendo parcialmente demolido para ser transformado em estacionamento, feita ontem pela Tribuna, surpreendeu a cidade, causando indignação. Procurado, o advogado da Franco-Brasileira, Ricardo Nemer, alegou que as obras estavam sendo realizadas pela empresa locatária, do Rio de Janeiro. A fiscalização, no entanto, diz que a responsabilidade é de ambas as empresas envolvidas. “Neste caso, pode ser responsabilizado tanto um quanto o outro. Notificamos o proprietário, pois não foi possível identificar o realizador da obra. Tudo precisa ser avaliado, é preciso comprovar que o locatário é o responsável, e ele precisa assumir esta responsabilidade. Se assim for, lavramos outro documento e cancelamos o anterior. Se nenhuma justificativa for apresentada, o julgamento prossegue sem elas”, informou Jurandir Alves Moreira.



Abalo às estruturas do patrimônioO prédio, que engloba o antigo cinema e o Hotel Renascer, tem fachada e volumetria tombadas como patrimônio municipal. No entanto, não existe lei de tombamento que determine o uso de imóveis protegidos. Apesar disso, segundo informações da Divisão de Patrimônio Cultural da Funalfa (Dipac), seria necessário realizar um estudo sobre a capacidade de carga e possíveis modificações internas, como remoção de pilastras, para saber se a estrutura agüentaria o volume de carros estacionados. Em caso de possível comprometimento, a obra não poderia ser realizada.



O advogado da Franco-Brasileira declarou, porém, não ter conhecimento da necessidade desta autorização, já que a informação não consta no decreto de tombo. A interpretação da Dipac, porém, é outra. Segundo o órgão, o decreto é submetido à lei municipal que rege o tombamento, e nela consta que qualquer modificação em imóvel tombado precisa passar, primeiro, por um estudo para apontar eventuais riscos à integridade física do espaço.



Embora o uso de bens tombados, em princípio, não seja limitado, a questão da ambiência tem sido amplamente discutida. Para os especialistas da Dipac, o uso do patrimônio precisa ser um instrumento de preservação, por isso seria necessário questionar se o uso pretendido agregaria valor ao imóvel. A idéia de preservação patrimonial tem sido revista não só na cidade, mas no Brasil e no mundo. Novos conceitos têm incluído, também, o entorno dos bens. No Rio, por exemplo, foram criadas as Áreas de Proteção de Ambiente Cultural (Apacs), com o objetivo de restringir a utilização de determinados prédios de interesse urbanístico declarado.



De acordo com profissionais da Dipac, está em discussão a revisão de processos para determinar tombamento integral de alguns bens da cidade. O tombamento de fachada e volumetria predominou por um período, mas a proteção total pode assegurar o cuidado com detalhes, como uma porta, um telhado, etc. Em casos como o do Cine São Luiz, é possível alterar paredes laterais, interior e fundos, porém não é permitido construir anexos ou pavimentos extras.


- A Tribuna tentou localizar a empresa locatária do espaço, mas não conseguiu contato.




(fonte: TM: 11 de julho de 2007

Cine São Luiz - Só fachada

Juiz de Fora perde um cinema que fez história nos décadas de 1960 e 70 no momento em que os esforços estão voltados para revitalizar a Praça Doutor João Penido e transformá-la em um centro de entretenimento e cultura. O Cine São Luiz, que há mais de 50 anos é espaço para projeções na cidade, deverá ser transformado em estacionamento. De propriedade da Companhia Cinematográfica Franco-Brasileira, o prédio está em obras desde a última semana e teve os projetores retirados e parte das poltronas removidas e acumuladas no saguão de entrada durante o final de semana. Ontem as obras continuavam com dois pedreiros trabalhando em horário integral. Informada pela Tribuna sobre as intervenções, a Prefeitura, por meio de sua assessoria, garantiu que a empresa não está autorizada a executar o trabalho e promete embargar a obra hoje pela manhã.

Fiscais da Secretaria de Política Urbana (SPU) estiveram no prédio no final da tarde de ontem e notificaram os funcionários sobre a necessidade de licenciamento. O embargo não foi efetuado devido à ausência de um responsável. Ficais da SPU e equipe da Divisão de Patrimônio da Funalfa deverão verificar os trabalhos, para levantar possíveis danos e exigir reparação.



Não há mais público nem funcionários do extinto cinema. Pela sala, que foi uma das mais importantes nas décadas de 60 e 70, quando era palco para o lançamento das películas antes de chegarem nas outras salas de exibição, restam apenas entulhos, madeiras quebradas e muita poeira.



O espaço teria sido alugado para um grupo do Rio de Janeiro, que administra estacionamentos. Tombado como patrimônio do município em 1999, o cinema, juntamente com o Hotel Renascer - que funciona no piso superior -, compõe um prédio com características marcantes do estilo art déco, construído na primeira metade do século XX. Para a presidente do Programa de Estruturação e Revitalização da Memória Arquitetônica e Artística (Permear), Mônica Olender, trata-se de uma iniciativa condenável. “Hoje fala-se em revitalização daquele entorno, parte de um projeto ainda maior: a revitalização de todo o Centro de Juiz de Fora. A praça sempre foi porta de entrada do município, e o cinema faz parte disso tudo. É um absurdo que projetos como esse, que em nada contribuem para o resgate dessa efervescência cultural, continuem sendo pensados e realizados na cidade. A população precisa se mobilizar.”



Membro do Grupo de Cinéfilos e Produtores Culturais - Luzes da Cidade, Carlos Pernisa Júnior garante que não dá para evitar o estranhamento. “Vivi minha infância naquela praça. Retomar o São Luiz como espaço reconhecidamente de cinema é, de longe, a melhor alternativa. Ele integra o conjunto arquitetônico da Praça da Estação, além de estar próximo à Sociedade de Belas Artes e ao Museu Ferroviário, formando um bom circuito de cultura. Por mais que as obras não atinjam a fachada do edifício, ainda assim é questionável. Um estacionamento naquele lugar destoa do propósito de resgate histórico-cultural.”



Pelo decreto de tombamento do edifício (06445/99), foram considerados os valores histórico e cultural que envolvem o bem, além de sua integração ao conjunto arquitetônico da Praça da Estação. A estrutura predial é marcada por partes reentrantes e salientes, que dão ritmo à composição e permitem perfeita harmonia de proporções. Os balcões curvos ampliam a perspectiva e acentuam sua monumentalidade.



PJF prevê transformação em centro cultural. O projeto inicial para a revitalização da Praça da Estação, pensado pela Prefeitura em parceria com a Associação Comercial, consiste em transformá-la em uma praça de alimentação. Nesse cenário, o Cine São Luiz se tornaria um centro cultural e palco permanente para shows. Incomodado com o fim do cinema, o Secretário de Turismo, Indústria e Comércio, Ricardo Francisco, ressalta o fato de que, apesar de o imóvel ser particular, trata-se de prédio tombado. Nesses casos, os proprietários precisam solicitar licença junto à Divisão de Patrimônio da Funalfa, antes de qualquer intervenção. “Fiquei sabendo da obra no início da tarde e acionei a Secretaria de Políticas Urbanas (SPU) para que os fiscais fossem ao local. O interesse da administração municipal é de preservar a área.”



Ainda segundo Ricardo, o projeto de revitalização do Centro está na fase de desenvolvimento, com o diagnóstico dos imóveis. “Estamos realizando levantamento detalhado sobre o tamanho dos imóveis, potencialidade, e não leva em conta apenas a área externa. Precisamos de um escopo bem definido, até mesmo para conseguir parceiros de peso, como a Petrobras.”



Para o cineasta Franco Groia, as atuais obras no Cine São Luiz desperdiçam o potencial estratégico do prédio e refletem o poder especulativo dos proprietários. “Esse espaço poderia ser usado como um dos principais alicerces no projeto de revitalização do Centro. Otimizado, seria um belo começo para a retomada das atividades culturais naquela praça.”



- A Tribuna tentou contato com a Companhia Cinematográfica Franco-Brasileira, com sede no Rio, mas os responsáveis não foram localizados. A informação repassada por ex-funcionários da empresa é de que os locatários devem estar na cidade hoje para vistoriar as obras.




(fonte: TM de 10 de julho de 2007)

04 junho 2006

Na real

Documentário

Os avanços tecnológicos trouxeram inúmeras vantagens aos artistas, principalmente no cinema. Se muitos ainda preferem a película (mais cara e mais trabalhosa), muitos outros dedicam-se a descobrir as maravilhas que o formato digital, mesmo com menor qualidade de imagem, proporciona em praticidade, logística e, principalmente, despesas. Em meio a esta configuração, o documentário emerge como a atual mania do audiovisual. Seja pela influência de casos bem-sucedidos, como os de Michael Moore (que ganhou Cannes e o Oscar), Eduardo Coutinho, João Moreira Salles, Wim Wenders, José Padilha e, recentemente, MV Bill, seja pela overdose de produções blockbuster, é perceptível que o interesse dos jovens cineastas têm se voltado para a possibilidade de capturar a realidade, in loco, com uma estética menos maquiada.

Mas, se diretores de ficção já encontram dificuldades na produção e, principalmente, na distribuição e divulgação de seus trabalhos, os documentaristas ainda lutam para conquistar seu lugar ao sol. Porém, pouco a pouco, os editais públicos passam a focar o formato, e festivais aparecem no país (ver quadro). “Infelizmente, os editais ainda são o único caminho, apesar de ter aumentado o interesse por parte dos canais de TV fechada”, ressalta o juizforano Marcos Pimentel, que já rodou 19 documentários. “O processo de formação do público também é lento, mas, graças a pessoas como Coutinho e Salles, o público vai se acostumando. Eles têm distribuição pela VideoFilmes e pela Conspiração, mas, por enquanto, a maioria de nós fica de fora do circuito comercial, restrita a festivais.”
Em Juiz de Fora, a recém-aberta Groia Filmes, produtora do cineasta Franco Groia, vem tentando criar espaço para produções de cunho não-comercial. “No início é sempre complicado, mas a cidade tem muita produção audiovisual e muita gente interessada em documentário. Percebemos isso com o oficina que organizamos com o Marcos Pimentel, que teve muita procura”, conta a produtora Flávia Lima.

Ainda que existam muitas produções puxadas para o lado político-social do Brasil, vide “Falcões - meninos do tráfico”, de MV Bill e Celso Athayde, existem aqueles atentos ao dia-a-dia e aos detalhes que nos escapam. Seja como for, o estilo documental proporciona uma liberdade no olhar que garante ao telespectador o contato com uma obra inevitavelmente pessoal. No entanto, poucos são os que conseguem viver somente de sua produção autoral, e a maioria precisa trabalhar em projetos paralelos.O diretor de fotografia juizforano, Cleisson Vidal, que apresentou o documentário “Missionários” na última edição do Festival Primeiro Plano, trabalha como freelancer no Rio e em São Paulo. “Documentário no Brasil é para poucos. O próprio Coutinho ficou 15 anos sem filmar. O problema da distribuição é estrutural e ninguém pretende mexer na engrenagem da indústria cinematográfica. É uma dinâmica perversa que não sei ao certo como reverter, mas a TV, a Internet banda-larga e as salas de cinema com projeção digital podem ser uma saída”, avalia o documentarista.

Flerte com o jornalismo
“De quatro anos para cá, houve um aumento na produção, na visibilidade e também na bibliografia sobre documentário. Há dez anos, você encontrava pouquíssimos livros sobre o assunto, mas, desde então, o crescimento tem sido constante”, avalia o professor da Faculdade de Comunicação da UFJF (Facom), mestre em Multimeios pela Unicamp, Cristiano Rodrigues. De fato, o maior festival do estilo no país, o É Tudo Verdade, incluiu, há alguns anos, um fórum de discussão em sua programação. Neste caso, além de apresentação e competição de documentários, diversas pessoas da área são convidadas a discutir diferentes aspectos do mercado e da criação. “As faculdades de jornalismo estavam precisando desta ponte com o cinema, e o documentário acrescenta muito ao jornalista. Vejo que os alunos estão interessados por temas mais humanizados e olhares mais sinceros”, completa Cristiano.

Um grupo de alunos da Facom se identificou com esta proposta e, sob orientação do professor, realizou o documentário “Conquista”, como trabalho de conclusão de curso. Durante um mês, eles acompanharam a rotina de um assentamento do MST, no Sul do país. “Vejo que fomos muito influenciados pelo Coutinho, baseando o filme muito em cima da fala. Hoje, percebo que posso ser mais subjetiva e dar atenção ao entorno”, diz Flávia Vilela, produtora do documentário, que participou da oficina de Pimentel. “Sempre gostei de cinema, mas nunca tive idéias para roteiros de ficção. Prefiro observar. Acho que é uma forma de jornalismo mais sincero, em que não precisamos ser imparciais e temos ponto de vista e olhar explícitos.”

Como tudo que se banaliza, ainda existe desproporção entre a produção documental e a qualidade do material. Vidal defende que, apesar das dificuldades com divulgação e do crescimento abrupto do número de produções, a competência do trabalho ainda é o melhor atrativo para o espectador. Para Pimentel, a principal conseqüência deste “boom” é a falta de preparo dos realizadores. “Você não tem que ensaiar, preparar cenário, maquiar: é só montar a câmera e filmar. E, justamente porque não costuma existir roteiro em um primeiro momento, é preciso estar com um conceito muito claro e não deixar para descobrir qual é sua história ao final das filmagens. O filme é você quem faz, não o acaso.”

Fique por dentro
Financiamento
- Documenta Brasil (SBT): R$ 550 mil. Inscrições abertas até 26 de junho
- DocTV III: R$ 100 mil. Inscrições encerradas
- DocTV Ibero-América: US$ 100 mil. Inscrições encerradas dia 31
- Rumos Itaú Cultural: R$ 100 mil. Inscrições encerradas
Festivais
- É tudo verdade
- Festival do Filme Documentário e do Filme Etnográfico (ForumDoc BH)
- Mostra Internacional do Filme Etnográfico


(Jornal Tribuna de Minas - Juiz de Fora, quarta-feira, 04 de junho de 2006)

Justiça determina que Caixa indenize correntista

Um correntista bancário de Juiz de Fora conquistou mais uma vez na Justiça uma indenização por danos morais, em virtude da falta de acessibilidade aos portadores de deficiência física nos terminais bancários de auto-atendimento.

A ação está tramitando na 3ª Vara da Justiça Federal e foi impetrada pelo cineasta Franco Groia contra a Caixa Econômica Federal. A juíza Sílvia Elena Petry Wieser concedeu a indenização de R$ 1 mil ao cineasta e deu prazo de 30 dias para o banco providenciar um equipamento adaptado para deficientes em seus terminais. Caso isso não aconteça, a multa será de R$ 500 para cada dia que o banco descumprir a ordem judicial. A decisão, no entanto, pode ser questionada em recurso.

Segundo Groia, o resultado é positivo, já que pode beneficiar um grande grupo de pessoas. Ele considera, no entanto, a indenização muito pequena. “Este valor não afeta a Caixa Econômica em nada. Parece piada. Vamos requerer um aditivo.” No ano passado, o cineasta ganhou uma ação contra o Bradesco. Na ocasião, além da multa diária - que foi semelhante - foi fixada indenização de R$ 5 mil.

Necessidades especiais
A base da ação é a falta de condições de acesso e operacionalização para os portadores de necessidades especiais. A assessoria da Caixa informou que o banco ainda não teve acesso a todo o conteúdo da sentença e que por isso não vai se pronunciar sobre o caso. O valor originalmente requerido por Groia é de cem salários mínimos - o equivalente hoje a R$ 35 mil.

(Jornal Tribuna de Minas - Juiz de Fora, quarta-feira, 24 de maio de 2006)

Longo caminho para a democratização

CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA

A Câmara apresentou ontem à classe artística de Juiz de Fora a proposta de lei para criação do Conselho Municipal de Cultura formulada pela Prefeitura. Em audiência pública, membros do poder público, produtores e representantes de entidades culturais, além de vereadores, discutiram o projeto, que gerou muitos pontos polêmicos, como a paridade e o poder deliberativo do conselho.

Segundo proposta do prefeito Alberto Bejani, dos 31 membros sugeridos para compor o grupo, dois terços seriam do poder executivo e os demais, da sociedade civil, representando diferentes entidades culturais da cidade. Além disso, o conselho teria poder apenas consultivo. “Este órgão deve ser a instância máxima da política cultural do município e tem que estar acima de divergências partidárias”, reivindicou o jornalista e produtor cultural Jorge Sanglard, ressaltando a importância de que o processo de formação do conselho seja “o mais democrático possível”. Para o presidente da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), Francisco Antônio de Mello Reis, a necessidade deste conselho é inegável, e ele já deveria existir há muito tempo. “Meu medo, entretanto, é que ele se torne apenas um órgão burocrático para recolher assinaturas que viabilizem o funcionamento das instituições. Não podemos deixar isso acontecer”, afirmou.

Diante das reivindicações unânimes da classe artística para que fosse aprofundada a discussão, o vereador do PT, Flávio Cheker, convocou nova audiência, desta vez convidando todos os produtores culturais. “As sugestões de alteração do projeto devem ser encaminhadas à Comissão de Educação e Cultura da Câmara, para depois serem recolhidas, avaliadas e apresentadas as emendas”, informou o vereador. Quanto aos membros integrantes deste conselho, nada foi decidido. “Não é só a produção que está em jogo aqui, mas também a gestão, a distribuição e a visibilidade da cultura da cidade. O Sistema Nacional de Cultura vai aumentar e garantir a chegada de capital ao nosso Fundo Municipal”, diz o cineasta Franco Groia, lembrando que o sistema de conselhos vem funcionando há alguns anos em cidades como Recife, Florianópolis e Porto Alegre, o que serviu de inspiração para a atual diretriz federal.

(Jornal Tribuna de Minas - Juiz de Fora, quarta-feira, 24 de maio de 2006)

Projetos de cinema se misturam com projetos de vida

Juiz de Fora é um berço de talentos. O cineasta Franco Groia, profissional já conceituado na área e sócio da Groia Filmes, está com vários projetos para 2006 e conversou com “eMiolo” sobre cinema, política e suas atuações na área social. Confira:

Você cursou Comunicação Social na UFJF. O interesse pelo cinema começou nessa época?

Não exatamente. Meu interesse sempre foi o cinema desde pequeno, afinal sempre vivi em torno do cinema através de idas freqüentes ao cinema e na infância sempre tive o hábito de freqüentar o Cine Excelsior. Quando fiz vestibular pela primeira vez foi a época tenebrosa da Era Collor, que deixou o cinema brasileiro na estaca zero no início da década de 90. Nesta época optei por fazer Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV, sendo meu interesse pela produção mais voltada para a área de TV. Como nada é por acaso, tive a sorte de ter contato com o cinema propriamente dito ao final do curso quando fui fazer cursos específicos na área, através do FAT, promovido pela Prefeitura de JF, a UFJF e o Governo Federal. Acabei me graduando em Comunicação Social e logo em seguida fui trabalhar com cinema.

Há alguns anos, o mercado cinematográfico em Juiz de Fora tinha menos visibilidade que atualmente. Como é fazer cinema na cidade?

Muita coisa tem mudado: hoje temos um curso de graduação efetivamente operando em JF, formando uma turma a cada semestre (no qual eu também leciono); temos uma Lei Municipal de Incentivo a Cultura exemplar, que fomenta não só outras áreas da cultura como também o cinema da cidade; conseguimos estabelecer um grande evento nacional de cinema anualmente na cidade, que é o Festival Primeiro Plano; e procuramos constantemente trabalhar na consolidação de um fluxo produtivo de filmes Juizforanos através de nossa produtora, a Groia Filmes, que produz não só filmes como propagandas e diversos eventos culturais.

A Groia Filmes está no mercado desde 1999. Entretanto, ainda existem pessoas que acreditam que é melhor trabalhar em lugares como RJ e SP. O que você acha disso? Já quis sair daqui?

Não acredito que sair da cidade seria a real solução para qualquer pessoa. Meu real interesse é ir na contra-mão deste senso comum, pois acredito no potencial de Juiz de Fora e o meu grande barato, assim como de diversas pessoas que optaram em permanecer na cidade é lutar para construir uma história real e permanente de produção cinematográfica de Juiz de Fora.

Você foi candidato a vereador pelo PT em 2004. Tem planos de se candidatar novamente? O que está achando da atual administração?

Não sei dizer hoje se vou me candidatar novamente. Hoje a conjuntura é bem diferente daquela de dois anos atrás e a vida pública necessita realmente de dedicação quase que diária. Continuo filiado ao PT Municipal. Naquela ocasião, a área da cultura não tinha nomes que a representassem na Câmara Municipal, e hoje a classe já está mais organizada e acredito ser capaz de lançar seus próprios nomes e direcionar uma política cultural para nosso município. Particularmente, enquanto cidadão foi uma experiência muito gratificante de exercício pleno de cidadania e acredito ter sido uma grande experiência pessoal ter vivido todo o processo eleitoral naquele ano. Até porque todo o discurso que se tem em volta da democracia e inclusão social percebi que é mera retórica, pois não tive a mesma possibilidade de visibilidade do que outros candidatos, não só do ponto de vista econômico, como também de acesso a comícios e afins, haja vista que a Justiça Eleitoral não garante nem fiscaliza as regras de igualdade entre os candidatos. Apesar de tudo isso, agradeço a todos aqueles que acreditaram na nossa bandeira, afinal foram 730 votos numa primeira incursão eleitoral.

Você já moveu uma ação para que um banco se adaptasse às suas (e de muitos outros) condições físicas e obteve sucesso. Como você analisa a imagem que a sociedade tem do deficiente? Está envolvido em algum projeto social?
A sociedade de um modo geral nunca viu o deficiente como um igual, capaz de viver uma vida normal, apesar de suas limitações e, sobretudo, estar incluído dentro do que entendemos ser o segmento economicamente ativo da sociedade. Temos que deixar de lado aquela idéia paternalista do deficiente enclausurado em seu lar, incapaz de se relacionar e ter uma vida normal. Hoje me envolvo com alguns movimentos sociais. Apoio iniciativas comunitárias que acreditam no potencial da cultura enquanto ferramenta de transformação social.
Você está filmando, ou tem planos de iniciar a produção de algum curta no momento?

Atualmente estamos em várias produções e o que posso adiantar é que está em fase final de produção meu último filme, intitulado “Chave”, e estamos produzindo o curta metragem “Condenado”, de Bernardo Falcão, e iniciamos a produção do longa metragem “Lanterna Mágica”, de Alexandre Alvarenga.

E o Festival Primeiro Plano? Será realizado esse ano? Terá apoio de alguma lei, empresa ou fundação?

Certamente, acredito, que o festival terá a sua edição 2006 realizada normalmente. Acredito também que as empresas da cidade venham a patrocinar o evento através das Leis de Incentivo a Cultura e possam proporcionar ao povo de Juiz de Fora mais um grande evento para a cidade.

Qual dica você dá para os novos cineastas que estão surgindo em Juiz de Fora?

Serenidade, perseverança e, sobretudo disposição para entrar realmente no mercado cinematográfico. Uma boa dica também é assistir a um filme diariamente.

Fonte: www.emiolo.com - publicada no site dia 12 de maio de 2006

09 abril 2006

Entre os criativos do Curso de Publicidade da Universo


Franco entre seus queridos ex-alunos (agora amigos) Harley, Kauana e Fael.

Caricatura - Parte I


Caricatura feita pelo amigo Cacinho em 2005.

01 abril 2006

Cinema no Rio

Franco Groia e seus alunos de cinema da Universo, estiveram, anteontem, no MAM do Rio para participar da Semana da ABC – Associação Brasileira de Cinematografia. Com direito a um caloroso debate sobre direção de arte na TV e no cinema, com Marcos Flaksman, Ricardo Della Rosa e Fábio Soares.

(Coluna "Cesar Romero" do Jornal Tribuna de Minas de 1 de abril de 2006)

31 março 2006

Tempos que não voltam mais

Quem nunca ouviu falar na lendária cantina da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFJF, com suas festas e eventos culturais? Na década de 90, as Sextas Culturais e as Zonas Literárias, promovidas por alunos, funcionários e professores, transformaram o espaço de convivência da Facom em um verdadeiro point do campus, com manifestações artísticas diversas, criando oportunidades de os alunos mostrarem seus talentos e atraindo a comunidade não-acadêmica também. Desativada no último dia 17, a área de convivência vai dar lugar à construção de três novas salas. As obras já foram iniciadas e, segundo a coordenação de Imagem Institucional, o projeto é considerado prioritário pela reitora Margarida Salomão.

“O espaço era ponto de encontro de alunos de vários períodos e também de outros cursos, possibilitando uma troca de experiência e um aprendizado, às vezes, mais importante que as aulas”, lembra a professora aposentada Leila Barbosa. A construção de salas no local partiu de uma solicitação da direção da faculdade. De acordo com a diretora, Marise Pimentel Mendes, a necessidade de mais salas tornou-se ainda mais urgente com a consolidação do curso noturno, a abertura de novos cursos de especialização e a expectativa de implantação do mestrado.

Em contato com a direção das unidades vizinhas ao prédio da comunicação, a intenção de Marise é pleitear um novo espaço de convivência - mais amplo e com restaurante apropriado -, que integre todo o setor de Estudos Sociais. Mas, enquanto os planos não saírem do papel, o fato é que os alunos ficarão sem este ponto de encontro, que um dia teve um papel complementar para a formação acadêmica de alunos que presenciaram o auge de toda a integração cultural e tornaram-se jornalistas, publicitários, músicos, cineastas e etc.

Espaço de convivência e cultura Tudo começou quando uma turma de alunos decidiu criar um evento para movimentar o local, ainda semi-habitado. Um deles, Nivaldo Alvarenga, hoje sócio-diretor de uma agência de propaganda, conta que a idéia original das Sextas Culturais era fazer um evento que integrasse os alunos e movimentasse o espaço, atraindo para o prédio acadêmicos de outros cursos e pessoas de fora da universidade. Uma equipe de estudantes partia em busca de patrocínio junto à iniciativa privada e outra ficava por conta da programação. O sucesso transformou a iniciativa em projeto de extensão, que passou a receber recursos da UFJF e orientação de professores.

O evento começava à tarde, por volta da 15h, com a exibição de clássicos do cinema no telão do anfiteatro. Depois do filme, o programa contava com atividades diversas a cada semana, como exposições de pinturas, fotos, desenhos, lançamentos de livros, fanzines, desfiles de moda alternativa e apresentações de capoeira. Lá pelas 20h, começava o show, sempre com bandas locais, muitas vezes formadas por alunos. “Tínhamos um público muito bom e chegou um momento em que as pessoas nos procuravam para fazer parte do evento, porque era um espaço aberto e com muita visibilidade”, lembra com orgulho o publicitário.

Bandas conhecidas até hoje no circuito cultural da cidade, como Eminência Parda e Boa Pergunta, se formaram no contexto das Sextas Culturais. Artistas da cidade tiveram suas primeiras criações exibidas nos eventos, como é o caso dos cineastas Rogério Terra, Marcos Pimentel, Léo Ribeiro, Franco Gróia, Alexei Divino. Até a cantora Ana Carolina, hoje conhecida nacionalmente, já se apresentou em uma Sexta Cultural. “Grande parte do que aprendi na UFJF foi neste intercâmbio multicultural que acontecia na cantina da Facom”, declara o ex-aluno Léo Teixeira, integrante da banda Boa Pergunta.

No entanto, com o passar dos anos, o projeto acabou se distanciando da idéia original. “Antes, o entretenimento e a cervejada eram apenas conseqüências e vinham no final da festa”, conta Léo. “Quando a minha turma se formou, o Diretório Acadêmico decidiu que, a cada semana, a organização do evento ficaria por conta de uma turma, e a renda arrecadada com a venda de bebidas durante o show seria destinada aos fundos de formatura. Então, a coisa perdeu um pouco o caráter cultural pelo comercial”, lamenta Nivaldo.

Formação cultural fora de sala A professora Leila Barbosa considera a falta de uma área de convivência como uma falha da educação. “O espaço era carregado de sua cultura, e ali os estudantes tinham idéias.” O cineasta Rogério Terra também ressalta que, por ser um curso da área de Humanas, há necessidade de um ambiente para celebrações, bate-papo informal e manifestações culturais. Para o jornalista Fabiano Moreira, também formado pela Facom, o espaço era tido como um lugar de pessoas antenadas. “Só quem viveu o que rolava ali sabe o quanto vai fazer falta para a universidade.” Em eventos como as Sextas Culturais e as Zonas Literárias, ele costumava lançar o fanzine Bate Macumba, com uma mescla de trabalhos de alunos, professores e artistas.

As Zonas Literárias aconteciam a cada semestre durante os anos de 1995, 96 e 97. O projeto foi idealizado pelas professoras de Redação em Língua Portuguesa, Leila Barbosa e Marisa Timponi que, fascinadas com a criatividade dos alunos expressa em trabalhos e seminários, decidiram expandir o universo das salas de aula para um espaço público. Os eventos reuniam poetas, escritores, músicos, estudantes, funcionários e professores com o objetivo de estimular a produção literária.

(Matéria publicada no Jornal Tribuna de Minas, dia 29 de março de 2006.)

12 março 2006

Cineastas, diretores e produtores discutem os caminhos do cinema digital

Cinema digital
(R)Evolução cinematográfica?

Reduzir custos de filmagens cinematográficas em menos da metade parece um sonho impossível para profissionais do ramo, mas o fato é que o cinema caminha cada vez mais para a democratização, graças ao sistema digital, que vem sendo tão debatido nos últimos anos. A nova tecnologia, que não pára de ser aperfeiçoada, caiu nas graças de cineastas como George Lucas, Lars Von Trier, Spike Lee, Mike Figgs e outros, sem contar brasileiros como Eduardo Coutinho e Domingos Oliveira, que vem exibindo em festivais seu último trabalho realizado com apenas R$ 35 mil. Este baixíssimo orçamento de “Carreiras” foi possibilitado pela escolha do digital e pela cooperativa de técnicos e atores formada pelo diretor.

Cineastas juizforanos também experimentam o novo formato. A Groia Filmes, criada em 1999 para a realização do curta “Calçadão”, de Franco Groia, tem implementado cursos livres intensivos e de cunho profissional dentro de tecnologia de pós-produção e produção digital, tratamento de imagem, efeitos especiais e edição. A proposta dos sócios Franco e Flávia Lima é formar um leque de profissionais gabaritados nesta convergência tecnológica, a fim de atender as demandas locais.
O digital também aumentou as perspectivas de estudantes como os da faculdade de cinema de Juiz de Fora, Josy Visonar e Cacinho, premiados no último ano no concurso Trama Universitário por um videoclipe para música de Tom Zé. Motivados, os jovens realizadores continuam a produzir e acabaram de lançar o curta “Sofia”, recém-exibido na cidade. Para o assistente de direção e videasta paulista Eduardo Aguilar, o digital viabiliza e concretiza o processo prático do aprendizado. “Se pensarmos em utilizar a película nesse tipo de estrutura, estaríamos inviabilizando a realização de oficinas ou, no mínimo, confinando-as ao contexto teórico”, diz Aguilar, que viaja Brasil afora ministrando oficinas.
Qualidade da imagem
As produções cinematográficas em sistema digital, com cópia em fitas ou HD (disco rígido), podem ser exibidas tanto em tela grande quanto em aparelho doméstico de TV sem, no entanto, fazer com que as diferenças de imagem em relação à película passem incólumes pelo espectador.
“O que observo no dia-a-dia junto aos amigos, cinéfilos ou não, é que, nas exibições que têm utilizado cópias digitais, o público pouco se dá conta das diferenças de imagem, e em relação aos filmes realizados diretamente no suporte digital, as diferenças são percebidas ainda que de forma inconsciente através de um certo incômodo”, constata Aguilar, ressaltando que, caso o filme agrade enquanto proposta, isso não pesa na avaliação. “Evidentemente, os mais bem informados e que detêm maior capacidade técnica para avaliar as questões de definição de imagem reclamam em especial das exibições digitais de filmes captados em película”, diz o assistente de direção.
Para Aguilar, o público é quem menos se importa com as discussões estéticas. “Claro que, se nivelarmos por baixo e aceitarmos as atuais condições de qualidade do digital como definitivas, sem cobrarmos insistentemente pelo seu aprimoramento, isso acomodará os padrões de exigência de imagem em um patamar inferior”, alerta. Ainda não muito “encantado” com as vantagens do digital, o diretor Carlos Reichenbach - um dos mais respeitados diretores em atividade no Brasil, responsável, entre tantos, pelos mais recentes “Garotas do ABC” e “Bens confiscados” - considera o atual sistema de projeção digital uma televisão gigantesca.
“O cinema levou mais de cem anos para se aproximar da pintura, e a imagem digital jogou isso na latrina”, completa Reichenbach. “Não sou contra o digital, sou a favor da película para os filmes que exigem um trabalho acurado de cinematografia, mas rodaria tranqüilamente um longa todo com câmera numérica (digital) se precisasse de agilidade e pouquíssimos recursos técnicos”, justifica o cineasta.
O juizforano Franco Groia, em fase de finalização de seu último filme, “Chave”, em que utiliza processo de intermediação digital, diz que a principal diferença da película para o digital é o barateamento da produção com este último, além da promessa do também barateamento dos ingressos para o público, com as ainda incipientes projeções digitais. Para Groia, a tecnologia digital caminha para o aperfeiçoamento da imagem. “Vendo pela TV, não se tem perda alguma da imagem. Mas, na telona do cinema, a película é de longe a coisa mais cristalina e perfeita. A imagem feita de grãos de prata é algo diferente dos pixels do computador”, opina Franco.
Democratizar sim, mas sem banalizar
O cineasta juizforano Marcos Pimentel teme que o acesso facilitado pelo baixo custo do digital banalize o critério cinematográfico. “Democratizar é ótimo, mas, com fita digital barata, todo mundo está saindo para filmar. É comum ver pessoas com horas e horas de material. Quando chegam para editar, descobrem que fizeram a parte de pesquisa filmando. Só sabem qual filme deveriam fazer depois que deixaram de filmar. Precisamos continuar pensando à moda antiga”, diz Marquinhos.
Especialmente quando se trata de documentários, a praticidade do formato (digital) determina novas linguagens e um aumento significativo da produção. A produtora Flávia Lima, sócia da Groia Filmes, afirma que a grande maioria dos documentários é feita em vídeo digital. “Película é muito cara, e rolos de negativo 35mm duram quatro minutos, os de 16mm, 12 minutos. Em documentário, coisas inesperadas aparecem, e é legal não ter que parar para trocar um rolo de negativo”, explica Flávia.

A produtora ressalta que, no processo de finalização, pode-se transferir o documentário para o rolo de negativo, de forma que o filme rode em um projetor de cinema e possa participar de festivais como película. “Infelizmente, os cineastas vão acabar abandonando a película... Mas concordo que, como no documentário, a estrela é o assunto, a câmera numérica facilita tudo”, conclui Reichenbach.
A demora para a implantação do cinema digital não é pela qualidade de imagens, cores, contrastes... A briga é comercial. É briga pela venda de filme virgem para produção e cópias, é briga por distribuição e por exibição. Para o assistente de direção e videasta Eduardo Aguilar, será uma pena se o digital for imposto pelo rolo compressor do mercado. “Seria bem melhor que o caminho fosse o contrário, que através da ousadia e da experimentação, os jovens realizadores provocassem a melhora dessa ferramenta e a sua imediata implantação”, diz ele.
Aguilar entende que há certa resistência em abandonar a película. “Como se não bastassem as diferenças de qualidade a favor da película, ela guarda em si um certo ‘glamour’ que fascina a grande maioria dos envolvidos com o meio, mas entendo que a mudança é inevitável, e que o fator determinante será o econômico, o que já vem sendo percebido pela indústria de Hollywood; e, contra esse poder de discussão, todos serão voz vencida.”
Linguagem x formato
A maioria dos profissionais de cinema ainda considera o digital um formato. “A linguagem do cinema continua sendo do cinema. Claro que tem coisas que a TV aperfeiçoou, mas o cinema continua tendo esta hegemonia em forma de linguagem”, diz Franco Groia. Já Marcos Pimentel aposta que o digital vai acabar incorporando novidades à linguagem cinematográfica, mesma opinião de Eduardo Aguilar.
“Quando penso nisso, me vem à cabeça a idéia de uma linguagem já estabelecida que sofrerá mutações, mas não uma ‘nova’ linguagem. No entanto, admito que se pensarmos o digital além do suporte, enquanto processo de distribuição via internet, em uma provável interatividade, certamente, poderíamos estar falando de uma nova linguagem”, diz Aguilar.

Carlos Reichenbach enfatiza a necessidade de desmistificar a palavra digital como se ela fosse a “panacéia”. “Infelizmente, tem gente encarando o digital como uma linguagem. Por isso o cinema está ficando muito parecido com a televisão. Se o optical disk (suporte) ou qualquer outro suporte mais amplo e generoso que o negativo fotográfico for adotado mundialmente um dia, aí sim poderemos ver nascer uma nova linguagem, porque as possibilidades plásticas e inventivas do cinema se tornarão infinitas”, prevê.

Aguilar considera esta discussão ainda acanhada. “Como qualquer novidade, as pessoas temem as mudanças. Foi assim na troca do cinema mudo para o sonoro, do preto e branco para as cores. Acho que ocorreram perdas em ambos os casos, mas houve recomposição dessas perdas através de novos ganhos”, ressalta. Discussões à parte, o assistente alerta: “Assim como não faz sentido ter saudades da máquina de escrever, acho que é preciso explorar o digital, apontar suas falhas, mas trabalhar junto e a partir dele”.
Diferenças, vantagens e desvantagens
No cinema em película, a imagem atravessa a lente de uma câmera cinematográfica e vai impressionar o filme virgem. Finda a filmagem, o filme é retirado do chassis e mandado para o laboratório, passando pelo processamento caro de revelar, telecinar, criar efeitos especiais e editar. No cinema digital, a imagem também atravessa a lente de uma câmera, porém não sensibiliza uma película cinematográfica. A imagem é convertida imediatamente em sinal eletrônico e não é preciso filme virgem, além de os custos com compra de HD (hard disk) serem fixos. A edição é ágil - já que não precisa de moviola (mesa de montagem profissional) - e, quando fica pronta no arquivo do computador, faz-se a cópia final para exibição diretamente de HD para HD ou em fita para exibição em salas de cinema digital e TV. Computadores domésticos equipados com portas IEEE 1394 (FireWire, I-Link (Sony), Pinnacle DC-30 de preços entre US$500 a 3 mil) permitem editar, mixar e até mesmo adicionar efeitos especiais.

(Matéria publicada no Jornal "Tribuna de Minas" - 12 de março de 2006)

10 outubro 2005

Projeto de lei nº 2.670/2005


O Sr. Presidente - A Mesa passa a receber proposições.

- Nesta oportunidade, são encaminhadas à Mesa as seguintes proposições:

Projeto de Lei nº 2.670/2005
Determina a adaptação de caixas eletrônicos para utilização por pessoas portadoras de deficiência nas agências bancárias do Estado de Minas Gerais.
A Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais decreta:
Art. 1º - As instituições bancárias que atuam no Estado de Minas Gerais deverão adaptar, em cada agência bancária, pelo menos um caixa eletrônico para utilização por pessoas portadoras de deficiência física locomotiva.
Art. 2º - Esta lei entra em vigor da data de sua publicação.
Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.
Sala das Reuniões, 22 de setembro de 2005.
Biel Rocha

Justificação:
Recentemente, o professor universitário, deficiente físico e cliente do banco Bradesco, Franco Groia, morador da cidade de Juiz de Fora, teve uma vitória inédita na Justiça, quando o Juiz Paulo Tristão Machado, da 8ª Vara Cível da Comarca de Juiz de Fora, condenou o banco a adaptar, no prazo de 30 dias, um caixa eletrônico do qual ele pudesse fazer uso sozinho, sem precisar ceder sua senha a nenhum desconhecido ou ter que se restringir a usar o banco apenas nos horários de funcionamento, das 10 às 16 horas.
Na sentença, o Juiz, além da indenização por danos morais, estabeleceu uma multa diária de R$500,00, em caso de descumprimento da determinação de adaptar ao menos um caixa eletrônico no prazo de 30 dias.
O Banco reduziu a altura de um dos caixas. "Mas ainda falta adequar alguns itens, como o tempo que o caixa concede a cada operação", diz Groia. "Para um deficiente esse tempo é implacável", completa. Os argumentos do advogado de Groia, acatados pelo Juiz, foram essencialmente calcados no Código de Defesa do Consumidor, que assegura ao cliente um atendimento de forma regular e eficaz. "Cabe ao banco, que se propôs a prestar os serviços bancários, adaptar-se às exigências do consumidor de seus serviços, e não o contrário", afirmou o Juiz em sua decisão.
O Bradesco usou em sua defesa, segundo consta da decisão, o argumento de que segue estritamente as normas do Banco Central, mais precisamente a Resolução nº 2.878 e a Lei nº 10.098, que dispõem sobre acessibilidade e autonomia de deficientes. Nenhuma delas obrigaria o banco a dispor de tal serviço para portadores de deficiência locomotiva. Mas o Juiz Paulo Tristão Machado Júnior diz que tais dispositivos citados pelo banco devem adaptar-se ao Código, e não o contrário. "O Bradesco, a maior instituição financeira privada do País, com lucros recordes de conhecimento geral, chegou ao absurdo de nesta audiência sugerir que o autor procure um banco que atenda suas necessidades", disse o Juiz. "Seria até mesmo politicamente mais viável atender a todos os consumidores dos seus serviços, sem exceção, do que desprezá-los e recomendar que procurem outra instituição".
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Bradesco informou apenas que o banco atendeu prontamente a decisão da Justiça, de forma a adaptar um de seus caixas de auto-atendimento a portadores de deficiência locomotiva.
Consideramos essa vitória histórica e verdadeiro marco na reafirmação dos direitos das pessoas portadoras de deficiências. Assim, apresentamos este projeto de lei, que visa a determinar aos bancos que atuam no Estado a imediata recepção da determinação contida na sentença, adaptando ao menos um caixa eletrônico em cada agência, demonstrando, assim, sua preocupação com o atendimento apropriado de todo e qualquer cliente.

- Publicado, vai o projeto às Comissões de Justiça e de Direitos Humanos para parecer, nos termos do art. 188, c/c oa rt. 102, do Regimento Interno.
(Fonte: Assembléia Legislativa de MG)

05 outubro 2005

Imagens de "Relações Modernas"


Imagens do curta-metragem "Relações Modernas", dirigido por Marcelo Esteves Freguglia e produzido por Franco Groia em 1996. Nas fotos, Flávia Lima e Robson Terra.