24 setembro 2005

Equipe do filme "Chave"

Click da equipe técnica de "Chave" ao final das filmagens. Da esquerda para direite, estão de pé: Ivo Regazi, Adauto Vilela, Vitor, Nicole Farjado, Evandro Fraga Neto, Lara Rattes Thys, Thiago Gomes de Almeida, Marcos Maslink, Ana Cecília Tavares, José Carlos Gomes, Sarita Hauck, Ramón Brandão, Roberto, Daniel Graveli. Sentados, estão: Flávia Lima, Pedro Moreira, Denis Aquino de Castro, Ramon Fernandes, Roberto Groia, Franco Groia, Juarez Pasvelak, Samir Hauaji, Wilson Carvalho, Adriana Barata e Rafael de Paula.

CURTA PETROBRÁS ÀS SEIS - ANO 1


Tomei conhecimento do Projeto Curta Petrobrás às Seis oficialmente através do coquetel de lançamento do próprio projeto em evento promocional no CineArte Palace, localizado na cidade de Juiz de Fora/MG, uma das salas do circuito exibidor do projeto no país.
Sem sombra de dúvida, a criação do Curta Petrobrás às Seis foi uma das propostas concretas mais geniais já desenvolvidas em nosso país. Digo isso sem demagogia, pois a iniciativa estratégica, a de fomentar a exibição de curtas em seções específicas, fez-se, em tão pouco tempo, inúmeros benefícios: alcançou-se um público do mais variado e, pelo menos em nossa cidade, sempre crescente, para ver especialmente as produções dos programas; ampliou o mercado exibidor de nossos curtas; a Petrobrás, como empresa de excelência, agregou um valor a mais ao curta-metragem enquanto formato de produção cultural, fomentou o alicerce principal da indústria cinematográfica nacional e valorizou o que é mais importante em nossa identidade cultural brasileira: a diversidade regional, uma vez que, a cada ciclo, a prioridade regional da produção foi, a meu ver, o seu princípio norteador.
Em Juiz de Fora, única cidade que produz cinema regularmente fora das capitais, a partir da década de noventa, o esforço e a iniciativa da Petrobrás em desenvolver uma política de marketing dirigida à formação de novas platéias, na minha opinião, foi muito importante e se caracterizou no principal diferencial do projeto.
Não sei se deveria, mas acho que o momento é relevante. Vou contar uma história, que é verídica, que me surpreendeu e que, pessoalmente, me emocionou profundamente enquanto cineasta. Um amigo meu, jornalista e editor em uma emissora de TV na cidade me pára na rua outro dia, entusiasmado, e me pergunta se eu havia visto o noticiário do dia anterior e respondi que não. Perguntei-lhe porque e ele me contou a seguinte história: para quem não conhece Juiz de Fora, que é uma cidade de porte médio, localizada na Zona da Mata Mineira, cercada por uma região agropecuária, em um de seus distritos próximos, chamado Dias Tavares, existe uma escola rural muito precária onde por iniciativa da única professora, uma turma da sétima série iria ter uma aula de português diferente, resolveu levá-los de ônibus comum até o centro da cidade de Juiz de Fora (viagem que dura cerca de 1 hora) para um lugar que a turma nunca tinham ido: ao cinema. E, como o dinheiro sempre é curto e, neste dia, contado para a passagem de ida e de volta, a única seção de cinema que a turma poderia ir era a do Curta Petrobrás às Seis. Por esta ocasião, coincidentemente, o programa em exibição era todo ele formado com filmes de realizadores da cidade, entre eles um filme meu. Até aquele momento, não estava entendendo aonde meu amigo jornalista queria chegar com a história e completou: os alunos ficaram deslumbrados pela telona e, principalmente, por terem tido a oportunidade de ver a própria cidade projetada na tela; o entusiasmo da turma foi tal que, ao voltarem à zona rural as idéias fervilhavam nas cabeças a ponto da professora concordar com os pedidos feitos pelos próprios alunos em realizar um trabalho extracurricular, em vídeo, sobre um história que eles mesmos idealizaram e que acabou sendo o foco da reportagem na TV.

Só esse relato já é um exemplo extraordinário do poder de motivação que o cinema proporciona em seus espectadores e, particularmente, o que o programa com filmes juizforanos provocaram naqueles alunos de modo que não se pode sequer medir. Mas meu amigo não se conteve e completou: os alunos resolveram realizar o vídeo porque adoraram o seu filme, a forma pelo qual a sua história mexeu com eles. Isso foi dito não pelo meu amigo, mas pela própria professora dessa humilde escolinha na zona rural da cidade que sequer conheço em entrevista à tal emissora.

Acredito que esta história resume tudo que um cineasta pode almejar: que suas histórias possam, primeiro, ser vistas pelo maior número de pessoas; segundo, que suas histórias consigam mexer de alguma forma com seu público. Em outras palavras, cinema é emoção, paixão. Isso a Petrobrás conseguiu proporcionar tanto a mim realizador quanto ao público espectador. Isso não tem preço.

Desta forma, percebi no decorrer dos programas o Curta Petrobrás às Seis que o projeto se tornou referência cultural em nossa comunidade por ter qualidade e ser gratuito, portanto não segrega ninguém.
Agora, quanto à divulgação do projeto, acredito ser benéfico uma maior atuação na mídia eletrônica (Rádio, TV locais e Internet) e sobretudo impressa (jornais e revistas locais). Como fundamental, acrescentaria também um folder com informações mais completas sobre cada programa para os espectadores, além de preservar o atual cartão postal como elemento de divulgação e registro do projeto para o público em geral. Seria interessante pensar em brindes (camisa, bonés e chaveiros) para serem distribuídos entre o público em cada seção e entre formadores de opinião.
O fator fundamental no que diz respeito ao suporte aos realizadores e aos usuários seria a criação de um site específico do Projeto Curta Petrobrás às Seis com informações completas sobre todos os ciclos já exibidos e em exibição, bem como estabelecer um banco de dados sobre o público espectador (espécie de Box Office oficial dos curtas no projeto) dos curtas em cartaz etc., além dos filmes poderem ser veiculados através da própria internet após serem exibidos no circuito exibidor de salas de cinema.
Para finalizar, gostaria de salientar a importância que o Projeto Curta Petrobrás às Seis tem para nós realizadores, como uma alternativa de retorno financeiro de nosso trabalho, que carece de visibilidade e mercado e que, aos poucos, pode se estruturar como importante atividade econômico-cultural de nosso país. Ainda há muito o que melhorar, só depende de nós!
Parabéns, Petrobrás!
Vida longa ao Projeto Curta Petrobrás às Seis!

Franco Groia
Cineasta
(Carta escrita à Assessoria do projeto por ocasião do fechamento do primeiro ano do Projeto "Curta às Seis" da Petrobrás em 2001)

Cinema com pão de queijo


Juiz de Fora quer entrar na rota da produção cinematográfica brasileira

João Carriço ficaria feliz com a notícia. Numa mobilização inédita, produtores e cineastas locais tentam viabilizar projetos de incentivo à produção, distribuição e visualização cinematográfica na cidade, com a parceria de órgãos municipais e também da iniciativa privada. O esforço vem rendendo frutos e a boa notícia é que, pela primeira vez, o orçamento municipal prevê um repasse de verbas para a produção na cidade de até R$ 50 mil.

Planos não faltam, declara o representante dos produtores locais e também cineasta, Franco Groia. Entre eles, a criação de um Circuito Municipal de Cinema e do Dia Municipal do Cinema - que seria comemorado em 27 de julho em homenagem ao cineasta João Carriço, e a revitalização do Cine Excelsior.

De concreto mesmo, garante ele, é a realização de um Festival Nacional de Curtas de Juiz de Fora ainda este ano. A proposta é fazer um festival a exemplo do que está sendo feito atualmente em Tiradentes, atraindo visibilidade para a produção não só nacional, mas também local, e proporcionando o turismo. "A Mostra de Tiradentes ainda está em sua 5ª edição e já conquistou uma visibilidade incrível. Nós também podemos conseguir isso, só que precisamos nos organizar", observa Franco.
A organização, no caso, depende da constituição do Conselho Municipal de Cinema, que pretende incluir dez representantes, sendo cinco de instituições ligadas ao poder público e cinco profissionais envolvidos com cinema. "O Conselho atuaria como um captador de recursos e incentivos, além de priorizar as ações e projetos", esclarece o vereador Biel (PT-JF), que também está empenhado nesta mobilização. Ele acredita que o projeto de criação do Conselho deve ser votado em março pela Câmara, já que o recesso que está começando vai até o Carnaval.
Parcerias com a Funarte, Ministério da Cultura e Riofilme também não estão descartadas, pelo contrário, representam uma importante articulação para o sucesso dos projetos, diz Franco. Ele afirma ainda que "o grande problema do cinema na cidade não é nem a produção, mas sim a distribuição do que é feito e, principalmente, que a população assista e conheça o trabalho realizado aqui."

Curta a cidade
De alguns anos para cá, a produção de filmes curta-metragens em Juiz de Fora vem aumentando, bem como a produção cinematográfica brasileira. A Lei Municipal Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, atualmente, é uma das principais fontes de recursos para produtores e cineastas.
Para se ter uma idéia, desde 1998 até o ano passado, mais de oito curtas foram produzidos na cidade, entre eles Deus me Livre, de Alexei Divino e "Calçadão - Onde de Tudo Acontece", de Franco Groia. Isso sem contar os que não conseguiram ser finalizados até agora por falta de recursos ou incentivos, que totalizam cerca de mais dez filmes.

Em tempo - Os curtas juizforanos "Deus me livre", de Alexei Divino, e o vídeo "A vida além do arco-íris", de Rogério Terra Jr. serão exibidos na 5ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que acontece de 18 a 26 de janeiro, na cidade de Tiradentes, em Minas Gerais.

Vale a pena ir até lá
A produção cinematográfica brasileira está em ritmo crescente. Para ver de perto, basta acessar um dos sites sugeridos abaixo e conhecer um pouco mais da história da sétima arte tupiniquim.
(Portal JF Service – 11 de janeiro de 2002)

"Calçadão" na programação cultural da I Mostra de Graduação e Pós-Graduação da UFJF

Cineasta exibe filme na Mostra da UFJF
Como diz o velho ditado, “o bom filho a casa torna”. Depois de se formar pela Faculdade de Comunicação Social em 1998, o cineasta juizforano Franco Groia retornou à UFJF, quinta-feira, dia 25, para apresentar a comédia “Calçadão”, o primeiro filme de sua carreira. A exibição fez parte da programação cultural da I Mostra de Graduação e Pós-Graduação da UFJF, que acontece até o próximo domingo, dia 28.
Franco, que participou da produção do longa-metragem “Labirinto de Pedra”, baseado na vida de Pedro Nava, recentemente lançado em rede nacional pela TVE, se mostrou entusiasmado com a oportunidade de poder mostrar seu trabalho em sua própria cidade. “Sou mais reconhecido em outras cidades do que em Juiz de Fora. Por isso, fiquei muito feliz com o convite e com a iniciativa”.
Durante um passeio pelos 2880 m² de estrutura montada para a Mostra, o cineasta participou de um programa ao vivo realizado pela Rádio Universitária e relembrou os tempos de faculdade. “Sou um contemporâneo da criação da Rádio Universitária. Fiz a primeira logomarca dela”. Franco ainda fez questão de ressaltar sua gratidão pela UFJF. “Aqui eu fiz minha base de cinema. Essa foi a grande escola da minha vida profissional”.
Franco também enfatizou a importância do evento na consolidação da imagem da UFJF. “Essa é uma ótima oportunidade para a UFJF se afirmar como referência nacional e provar para todos que está entre as melhores universidades do país. A UFJF está cada dia melhor.”

(M.D - UFJF - Notícias 26/11/2004)

Filmando "Chave"



Cenas da realização das filmagens do filme "Chave" em junho de 2004 no Central Shopping na cidade de Juiz de Fora. De cima para baixo, dirigindo a cena através do monitor do videoassist, o diretor conversando com seus assistentes de direção Daniel Gravelli (de boina) e Marcos Maslink e no set.

Entre amigos





Franco com os amigos Jussara, Fernanda Fernandes, Tiago e Giselle.

Palestra no Colégio Jesuítas de Juiz de Fora

Câmera, Luz, ação

Os alunos da 7ª série tiveram a experiência de conhecer uma produção de curta-metragem e saber um pouco mais sobre esse tipo de cinema através de um papo com o cineasta juizforano Franco Groia.
No segundo dia da Feira de Livros de 2003, os alunos da 7ª série mergulharam no mundo cinematográfico. Com o apoio da FUNALFA - Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage, o Salão Padre Oliveira transformou-se em uma sala de exibição. No telão, o curta-metragem “O livro”, gravado em fita de 16mm, o que aguçou a curiosidade de todos diante do projetor, bastante diferente dos utilizados nas salas de cinema. A produção traz como temática as várias relações que diferentes pessoas mantêm com o livro.
Depois da exibição, os alunos tiveram a oportunidade de conversar com Franco Groia, cineasta que projetou Juiz de Fora no cinema nacional e único profissional da cidade que pertence à Associação Brasileira de Cinematografia, com sede no Rio de Janeiro. Muita curiosidade, principalmente quanto às técnicas usadas nas etapas de produção de um curta-metragem: seleção de atores, roteiro, filmagem, montagem, etc... No final da atividade, os alunos vibraram com o anúncio da implementação no Colégio da “Usina de Sons e Imagens” que, a partir do próximo semestre, possibilitará que alunos desenvolvam trabalhos pedagógicos, utilizando-se de recursos audiovisuais, produzindo seus próprios vídeos, reportagens e documentários.

Com a palavra... os alunos da 7ª série:

“Achei interessante, porque foi uma atividade tanto recreativa quanto instrutiva sobre detalhes do dia-a-dia que, às vezes, passam despercebidos”
Helena Azevedo

“Achei legal porque tirou o clima tenso da aula e ajudou a descontrair”
Elias Abreu

“O filme mostrou a importância que cada pessoa dá ao livro”
Pedro Galil

“Interessante, pois possibilitou que aprendêssemos mais sobre o que é um curta-metragem”
Ana Luiza Salgado

“Achei interessante, pois foi a primeira vez que vi um curta-metragem”
Carolina Siqueira Galil

“Achei o curta diferente de outros cinemas e o projetor possibilitou que conhecêssemos mais sobre fitas de 16mm”
Ludmila Caldas

(Boletim Informativo do Colégio dos Jesuítas - Ano 21 - número 111 - Abril/Maio de 2003)

23 setembro 2005

Conferindo o foco


O diretor conferindo o enquadramento da cena na própria câmera (no caso, uma Aaton modelo XTR-Pro).

Diretor em ação!


O diretor coordenando pessoalmente as ações e movimentos da câmera (Edmundo Vieira), equipe (Patrícia Almeida) e dos atores (Tadeu Santos) para o plano sequência de abertura de "Calçadão - Onde de tudo acontece".

O diretor no set



Detalhe de Franco concentrado, durante as filmagens de "Calçadão", olhando o monitor - no instante da captura do take do "Hotel Templo Novo", na abertura do filme.

Café e conversa entre amigos



Franco e a amiga Taís no Espaço Unibanco Palace em Juiz de Fora.

Beto Campos véi de guerra!


Franco Groia prestigiando evento de lançamento do CD do músico Luizinho Lopes. Na foto, Franco está ao lado do amigo Beto Campos, promotor do evento.

Seq. 5 Plano 1 Take 2


Detalhe da claquete do filme "Calçadão - Onde de tudo acontece".

Faculdades têm que investir em acessibilidade


Uma portaria do Ministério da Educação (MEC), publicada no último dia 11, determina que todas as universidades, públicas e particulares, ofereçam condições de acessibilidade tanto no espaço físico quanto na área de comunicação. A norma reforça determinações anteriores, criando regras específicas. A Tribuna ouviu oito instituições de ensino superior de Juiz de Fora e todas informaram que estão trabalhando no sentido de garantir atendimento adequado aos estudantes portadores de necessidades especiais.
No entanto, ainda há intervenções e investimentos a serem feitos para que os alunos de Juiz de Fora com dificuldades motoras, auditivas ou visuais tenham garantidos os direitos de ir e vir, aprender e formar-se profissionalmente. A maior pendência está na manutenção de equipamentos próprios para os portadores de deficiência, como teclado e impressora em braille.
Eliminando barreiras
O diretor da Faculdade de Direito do Instituto Vianna Júnior, Michel Bechara Júnior, afirma que a instituição já vem investindo em acessibilidade há alguns anos. Segundo ele, o prédio dispõe de uma rampa que dá acesso ao primeiro andar, mas o mesmo não acontece com o segundo pavimento. Bechara argumenta que essa intervenção não é necessária, no momento, porque o instituto concentra os alunos com necessidades especiais no piso térreo.
A mesma estratégia é usada na Faculdade Machado Sobrinho. O diretor José Darcy Leal informa que, atualmente, não há estudante com necessidades especiais. No entanto, quando um dos alunos se machuca ou vive qualquer situação que imponha dificuldades temporárias de mobilidade, sua turma é transferida para o pavimento térreo. Destacando as diversas adaptações já implementadas, Bechara e Leal afirmam que novas intervenções serão promovidas para atender a demanda existente.
A unidade Alto dos Passos da Unipac dispõe de rampas de acesso, mas elas também se limitam ao primeiro piso. A diretora pedagógica da unidade, Diva Batista de Moura e Silva, afirma que, até o início do próximo período letivo, será instalado um elevador de acesso aos demais pavimentos.
No Instituto Granbery, o elevador já está em funcionamento. O reitor Roberto Pontes da Fonseca informa que os investimentos em acessibilidade feitos no prédio da graducação se estendem, agora, à construção principal, que já completou cem anos. A instituição também dispõe de equipamentos especiais e implantou o sistema de apoio ao aprendizado, que consiste na disponibilização de todos os conteúdos acadêmicos no site da faculdade.
Outro prédio que dispõe de elevador para atender pessoas com dificuldade de locomoção é o do Centro de Ensino Superior (CES). O diretor José Ventura informa que o próximo passo para promover a inclusão dos alunos com necessidades especiais é investir em equipamentos específicos para esta clientela.
Recém construído, o prédio da Universidade Estácio de Sá contemplou, já no projeto original, as normas de acessibilidade. A assessoria da instituição informa que existem rampas, corrimãos e estacionamento privativo. O mesmo acontece com o prédio da Universo, que está em fase final de construção. A direção informa que há elevador, rampas e banheiros adaptados.
Falta de recurso é obstáculo na UFJF
A situação é mais complicada na UFJF. Com um número maior de estudantes, quase 12 mil, e construída no final da década de 60, quando o conceito de acessibilidade era pouco ou nada difundido, a instituição já fez algumas intervenções, mas ainda não oferece as condições adequadas.No entanto, o processo está estagnado. O diretor de Logística, Marcos Tanure, aponta como o principal investimento, na fase mais recente, a instalação de um elevador privativo para portadores de necessidades especiais no prédio da Biblioteca Universitária, localizado na região central do campus. Como complemento, foram construídas rampas nos caminhos de acesso ao prédio.
Tanure comenta que há projetos para a construção de um pavilhão de aulas, totalmente adaptado, também na área central, e informa que as construções mais recentes contemplam as regras de acessibilidade. O problema, segundo ele, são as estruturas mais antigas. "Em alguns prédios não há espaço físico para a instalação de rampas." Tanure argumenta ainda que a falta de recurso é outro obstáculo grave.
Prioridades Além das dificuldades arquitetônicas e financeiras, a UFJF esbarra em outro empecilho: a desinformação. Marcos Tanure reconhece que a instituição não tem um levantamento recente que aponte o número de acadêmicos portadores de necessidades especiais, nem quais os tipos de deficiência e qual o grau de comprometimento de cada um. "Precisamos deste diagnóstico para, a partir dele, elencarmos prioridades nos investimentos."
O diretor de Logística explica que a idéia é usar os recursos disponíveis para intervenções que atendam às necessidades dos estudantes contemporâneos. Desse modo, aos poucos, a UFJF estaria se preparando para oferecer total acessibilidade.
Apoio de colegas foi essencial para cineasta
Para o jornalista e cineasta Franco Groia, o vestibular foi o passaporte para o ensino superior, mas não representou a garantia de livre acesso a todos os benefícios e serviços oferecidos pela UFJF. Formado na Faculdade de Comunicação Social, em 1998, ele comemora o fato de ter estudado em um prédio anexo ao da Faculdade de Educação, que dispunha de rampa e outras adaptações, que permitiram sua locomoção na cadeira de rodas.
Já as refeições no Restaurante Universitário (RU), serviço utilizado por Groia durante os quatro anos da graduação, foram uma verdadeira odisséia. Ele conta que colegas e funcionários da universidade eram mobilizados todos os dias. "Eu tinha que entrar pela cozinha. Acabei ficando amigo dos cozinheiros e serventes, que sempre me trataram com muita atenção." Franco acredita que a adaptação realizada no RU foi, em parte, provocada por ele. "Minhas necessidades fizeram as pessoas perceberam a necessidade de mudanças."
Utilizar a Biblioteca Central foi um dos maiores desafios de Groia. Na época, o acesso só acontecia através das escadas (o elevador foi instalado em outubro deste ano). A alternativa encontrada foi mais uma vez recorrer a terceiros. "Eu pedia ajuda de conhecidos e de desconhecidos também. Apesar da boa vontade das pessoas, o processo era demorado e com o corre-corre da vida acadêmica, ficava muito estressante." O cineasta conta que acabou desistindo de usar a biblioteca depois da terceira visita.
Perseverança, bom humor e solidariedade foram as armas de Franco Groia para derrubar barreiras. Mesmo protagonizando situações de constrangimento e dificuldades, ele nunca pensou em desistir. Hoje, ele defende a disseminação da cultura da acessibilidade. "Os engenheiros e arquitetos devem projetar os espaços pensando no usuário universal, que pode ou não ter limitações físicas".

(Jornal “Tribuna de Minas”, de 27 de novembro de 2003)

Um cineasta com a câmera na mão


Franco Groia com sua Krasnogosky (K-3) em punho.

III Mostra de Tiradentes


No ano de 2000, Franco na turma da Oficina de Documentário, ministrada pelo diretor Sérgio Sanz, durante a Mostra de Cinema de Tiradentes.

Descontração no Planet Music


O diretor com o amigo Carlos Eduardo Couto (Pinguim).

Curtindo o TQ


Franco com a amiga e produtora Flávia Lima, conferindo show do TQ em sessão no Pró-Música em Juiz de Fora em 2002.

Entre amigos

Flagrante de descontração, na mesa entre amigos no Gramado Grill em Juiz de Fora. Da dir. para esq., os jornalistas Anderson Vieira, Chris Milagres, Franco Groia, Patrícia Gorgulho e Mariana Bretas.

Justiça exige caixa eletrônico adaptado


Justiça exige caixa eletrônico para deficiente
Cineasta, professor universitário, deficiente físico e cliente do Banco Bradesco, Franco Groia, morador da cidade de Juiz de Fora (MG), teve que ir à Justiça para que seu banco se adaptasse às suas condições físicas e instalasse um caixa eletrônico do qual pudesse fazer uso, sozinho, dos diversos serviços bancários disponíveis nestes terminais, sem precisar ceder sua senha a nenhum desconhecido ou ter que se restringir a usar o banco apenas nos horários de funcionamento, das 10h às 16h. Groia bateu à porta da primeira instância da Justiça mineira e conseguiu a condenação do Bradesco.
O juiz Paulo Tristão Machado Júnior estabeleceu um pagamento por danos morais e a instituição foi ainda obrigada a, em 30 dias, adaptar pelo menos um caixa de auto-atendimento da agência 0080, em Juiz de Fora, a portadores de deficiência locomotiva, sob pena de uma multa diária de R$ 500,00.
Na sexta-feira, o professor foi chamado até a agência onde os funcionários mostraram que haviam reduzido a altura de um dos caixas. "Mas ainda falta adequar alguns itens como o tempo que o caixa concede a cada operação", diz Groia. "Para um deficiente esse tempo é implacável". Os argumentos do advogado de Groia, acatados pelo juiz, foram essencialmente calcados no Código de Defesa do Consumidor (CDC) que assegura ao cliente um atendimento de forma regular e eficaz. "Cabe ao banco, que se propôs a prestar os serviços bancários, adaptar-se às exigências do consumidor de seus serviços, e não o contrário", afirma o juiz em sua decisão.
O Bradesco usou em sua defesa, segundo consta da decisão, o argumento de que segue estritamente as normas do Banco Central, mais precisamente a Resolução nº 2878 e a Lei nº 10.098, que dispõem sobre a acessibilidade e autonomia de deficientes. Nenhuma delas obrigaria o banco a dispor de tal serviço para portadores de deficiência locomotiva. Mas o juiz Paulo Tristão Machado Júnior diz que tais dispositivos citados pelo banco devem adaptar-se ao CDC e não o contrário. "O banco Bradesco, a maior instituição financeira privada do país, com lucros recordes de conhecimento geral, chegou ao absurdo de nesta audiência sugerir que o autor procure um banco que atenda suas necessidades", disse o juiz. "Seria até mesmo politicamente mais viável atender a todos os consumidores dos seus serviços, sem exceção, do que desprezá-los e recomendar que procurem outra instituição".
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Bradesco informou apenas que o banco atendeu prontamente a decisão da Justiça de forma a adaptar um de seus caixas de auto-atendimento a portadores de deficiência locomotiva, mas informou também que tomará as medidas judiciais cabíveis, o que significa recorrer à segunda instância da Justiça.

(Jornal “Valor Econômico” – 22 de agosto de 2005)