18 dezembro 2007

Quando o baixo é o instrumento principal

De instrumento-base a estrela de uma banda inteira, nas mãos de Dudu Lima o contrabaixo perde o ar de coadjuvante para assumir o papel principal. Aos 35 anos, o baixista juizforano acumulou a experiência que o público pode conferir em seu primeiro DVD, cujo lançamento acontece nesta quarta, no Comemorare. “20 anos de pura música” traz muitas participações especiais, entre elas a de Stanley Jordan, que há sete anos escolheu Dudu para acompanhá-lo em todas as suas apresentações pelo Brasil.

A parceria dá ao público da cidade o privilégio de ver Dudu e Jordan tocando juntos e ao vivo pela quarta vez, no show que terá ainda Big Joe Manfra e Ivan Conti Mamão (Azymuth), além do quarteto local Weber Martins, Dudu Viana, Ricardo Itaborahy e Leandro Schio. “Somos amigos há décadas. Dividir o palco com eles é olhar para trás e saber que o rumo tomado foi bom, provocou a união, a amizade e o crescimento conjunto de técnica, concepção e amizade”, diz Dudu.

O repertório será baseado no DVD, cujo material havia sido gravado em outubro de 2006, mas a disponibilidade de Jordan em participar do registro fez todo mundo voltar para o palco dois meses depois, quando o guitarrista excursionava pelo país. Os dois primeiros discos de Dudu, “Regina” e “Nossa história”, foram integralmente autorais. Desta vez, ele optou por registrar as músicas que mais marcaram sua carreira, utilizando baixo acústico e elétrico. “É um resumo do que fiz nestes 20 anos”, sintetiza, frisando que há muita música brasileira, além do jazz, que permite maior liberdade ao contrabaixo com mais freqüência que outros estilos.

“Quando se fala em jazz, imagina-se logo os standards americanos, mas, na verdade, estamos falando de música instrumental. Sempre toquei muita música mineira, ‘Cravo e canela’, ‘Nascente’ fazem parte do meu repertório, mas escolhi ‘Clube da esquina 2’ para fazer parte do disco porque tinha um arranjo que toco há 15 anos”, explica Dudu, dizendo que Milton Nascimento foi sua primeira influência - “lá em casa todo mundo ouvia” -, sem deixar de citar Toninho Horta. Neste formato das mais tocadas, entraram para o disco “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), “Brasileirinho” (Waldir Azevedo), “O trenzinho do caipira” (Villa-Lobos) e “Mercy, mercy, mercy” (Joe Zawinul), além de composições próprias, como “Regina”, gravada por Stanley Jordan em seu próximo CD.

Música espiritualDudu começou a tocar aos 11 anos. Aos 13, já ganhava dinheiro com música e, aos 15, dividia seu tempo entre dar aulas na cidade e estudar com Yan Guest e Adriano Giffoni, no Rio. O que estimulou tanto trabalho desde cedo? Dudu explica: “L0go que comecei a tocar, ganhei uma fita de vídeo do baixista americano Jaco Pastorius, que influenciou toda uma geração. Isso foi por volta de 1985, quando Jaco morreu. Antes dele, havia contrabaixistas acústicos de destaque, mas foi ele quem definiu o contrabaixo como instrumento solo. Na minha inexperiência, entendia pouca coisa do que estava vendo, mas sabia o que queria estudar, o que queria fazer com a música. Isso me deu uma direção, um caminho a seguir.”

E este caminho é muito próximo daquele seguido por Stanley Jordan. Ambos compartilham a mesma visão da música como algo espiritual. “Depois do primeiro show que fizemos, ele me deu um abraço e ficamos conversando por umas quatro horas. Acho que temos uma telepatia musical. A pessoa que ele é, a afinidade que a gente tem, o jeito de ver as coisas com profundidade e mais de 120 shows juntos. Tudo isso nos mostra o lado espiritual da música. Somos profissionais, vivemos disso, mas a música tem um lado de vocação, de transformação, que queremos levar para todo mundo”, diz Dudu.

Para Dudu e Jordan, esta extensão “para todo mundo” pode não incluir os meios de comunicação de massa, mas passa por hospitais e favelas. O mesmo show que fizeram no Teatro Municipal de São Paulo há pouco tempo foi apresentado na favela do Capão Redondo. “Não há diferença na receptividade, só no cenário”, afirma o baixista, acrescentando que, no mesmo dia, a comunidade recebeu shows de Lecy Brandão e de um DJ, além dos instrumentistas, sabendo apreciar todos os estilos.
Produção juizforana
Dudu Lima faz questão de dizer que pode tocar no mundo inteiro, mas não quer sair de Juiz de Fora, e que o DVD é resultado do trabalho de gente da cidade. “O que ganho por estar aqui é muito. É estar feliz com a vida.” Produzido pela Gravatás Arte e Cultura, o DVD contou com as empresas juizforanas Arca Music e Groia Filmes.

A Groia Filmes aposta no bom resultado do DVD de Dudu Lima para captar recursos para os filmes “Lanterna Mágica” e “Tedem”, ambos habilitados na Lei Rouanet. O primeiro, com roteiro e direção de Alexandre Alvarenga (Xanxão), conta a história fictícia de um diretor de cinema frustrado que tenta realizar um filme sobre Carriço. Comandado por Franco Groia, “Tedem” é um vídeo documentário sobre a concepção do instrumento e do método de ensino de música criado por Estêvão Teixeira.

- Nesta quarta, às 22h no Comemorare (Rua José Lourenço nº 714 - São Pedro.). Ponto de venda: Microtools, Phormar e Livraria Leitura. Informações: 3217-7595.
(Publicado no Jornal Tribuna de Minas, 18 de dezembro de 2007)

2 comentários:

Bazaga disse...

Olá Franco, adicionei teu blog aos meus favoritos, quando puder dê uma olhada: www.bazaga.org

Abraço.

Marco islAa disse...

legal seu blog! vou te add! me add ae tb! ;)

abração